Whatever Works de Woody Allen

18 de Março de 2010

em BMS Movies,O Bom

Whatever Works é mais um filme escrito e realizado por Woody Allen. Mais uma pérola sobre a existência humana. Um filme simples, descontraído e sobre o “nada”.

Não será alheio ao conceito do filme o facto de ter sido escolhido para protagonista principal um actor de segunda linha – Larry David. A obra maior deste escritor/actor/produtor é sem dúvida a série Seinfeld. Sitcom absolutamente revolucionária (na minha opinião de longe a melhor série televisiva de comédia alguma vez feita) da qual Larry David foi um dos criadores. A série Seinfeld ficou famosa por ser uma série sobre nada! Foi assim que foi apresentada aos investidores e foi assim que se desenrolou durante mais de uma década de filmagens. É uma série sobre tudo e sobre nada. Retrata as vidas de 4 personagens centrais e tal como as nossas próprias vidas, acontece-nos de tudo um pouco e nada de especial. Também este filme Whatever Works retrata os episódios delirantes e muito pouco prováveis de um conjunto de personagens mas que no fundo não têm qualquer importância.

O único sumo a retirar deste filme (e aqui reside a sua genialidade), é a consciência e tranquilidade de sabermos que a vida é mesmo assim: um conjunto de pequenos nadas que para nós são tudo e que devemos saber desfrutar sem ataques de pânicos fazendo aquilo que nos parecer melhor em cada altura. Costuma-se dizer que a ignorância é uma bênção e a verdade é que por vezes é mesmo!

Puseram-nos neste planeta uns por cada lado. Uns em África, outros na Antárctida, uns à larga, outros à rasca, uns a morrer de fome, outros a gastar fortunas para perder o apetite e emagrecer. Puseram uns bem e outros mal. Uns bem merecidamente e outros também que mais mereciam morrer. Uns mal apesar de serem bons, outros mal por culpa própria. Pronto. É chato, mas tem de ser.

Deixaram-nos aqui. É mesmo assim. É a vida. Tem graça, não tem? A vida tem graça. Nós temos graça. É engraçado estarmos todos aqui. A incerteza geral da existência, aliada à certeza particular do facto de termos nascido e de irmos um dia esticar o pernil, é de morrer de rir. Entre outras coisas. Já que nos puseram aqui, indispostos, mal distribuídos, condenados à confusão e à companhia dos outros, o mínimo que podemos fazer é pormo-nos o mais bem dispostos que pudermos.

No final do filme, é possível apreciar um monólogo que relata mais ou menos o seguinte:

Sou muito pouco adepto da ideia do “nunca mais é sexta-feira”. Parece que andamos todos desesperados por nos divertirmos. Sempre à espera do próximo fim-de-semana, do próximo feriado ou das próximas férias. Mortinhos por celebrar qualquer coisa na sexta-feira ao final da tarde. Mas celebrar o quê? Só se for o facto de estarmos uma semana mais perto de bater as botas!

Por isso é que não me canso de dizer: Todo o amor que possas dar e receber, qualquer felicidade que possas usufruir ou oferecer, qualquer esporádica dádiva que possas partilhar, o que quer que seja – aproveita todos os dias para aproveitar todo o dia.

E não te enganes, não é tudo fruto da nossa genialidade humana. Uma grande parte da nossa existência, maior do que gostamos de admitir, é sorte.

Por isso mais vale saltar todas as barreiras/preconceitos/fobias e lançar os dados…

O Bom

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Quarto 3416
8 de Janeiro de 2011 às 15:39

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