Porque continua sempre actual, eis um escrito de outros tempos e de outras andanças…
Portugal inteirinho vai acabar por arder. Não adianda protestar, está decidido, é inevitável e ponto final.
Por isso, como temos que viver com esta realidade, o melhor é aproveitar ao máximo enquanto ninguém se preocupa a sério com isto e, se me permitem o atrevimento, deixarei algumas sugestões para proveitosas acções futuras.
Primeiro, há que começar por dignificar a figura do incendiário. Quantos de nós já não passaram umas horas divertidas a olhar para o fogo, nas noites quentes de Verão. Nas nossas varandas, confortavelmente instalados numa cadeira, de binóculos, analisando a altura das labaredas, imaginando a intensidade da fornalha. Depois, aquela parte muito divertida de ver aqueles pirilampos azuis a progredir devagar em direcção ao braseiro, atravessando caminhos de cabras, roçando o vazio na noite negra. E então, quando estão quase a chegar lá, um outro incêndio a começar, nas suas costas, e depois outro e ainda outro. É ver, então, a malta toda a apontar com o dedo e a espumar indignada: “assassinos”, “bandidos”, “criminosos”, etc. É mesmo giro! Durante o dia também é um espectáculo, diga-se de passagem. Aí, além das majestosas colunas de fumo, como cogumelos incandescentes, temos a mais valia das manobras dos meios aéreos. Isto sem falar do delicioso aroma do rescaldo fresco.
É por isso que eu fico revoltado quando ouço as pessoas dizer, quando apanham algum incendiário, que o deviam lançar ao fogo. Nada mais injusto! Que fizeram essas pessoas para evitar o fogo? E para o combater? E para alertar? Ele ao menos teve a coragem de o atear. Arriscou-se a um linchamento público ou a ficar transformado em torresmo e morrer no anonimato, enquanto todos beneficiavam do espectáculo que ele de uma forma heróica e desinteressada (ou não) oferecia a todos sem excepção. Enquanto ele sacrifica a sua honra pelo ordenamento do território, a administração florestal pouco ou nada colabora. Fazem estátuas ao bombeiro? Eu digo, façam ao lado uma estátua ao incendiário, que tanto merece. É uma justa homenagem por tantas emoções sentidas e por tantas reportagens consentidas.
Não brinco, e digo mais! Os incêndios que todos os anos chamuscam os nossos montes já carecas de tanto fogo deviam ser aproveitados para fins turísticos. Não riam! É isso mesmo, para fins turísticos! E turismo internacional. Parece que já estou a ver os folhetos das agências de viagens: “Fiordes da Noruega”, “Paraíso das Caraíbas”, “Palácios da Europa”, “Incêndios de Portugal”. Era um sucesso garantido para a nossa querida Arouca. Tão imponente como os “Vulcões da Islândia” mas com as vantagens do clima ameno, da nossa hospitalidade e singular gastronomia.
É preciso pegar neste novo projecto nacional e ateá-lo aos quatro ventos de modo a que ele alastre em todas as direcções do planeta. Mas antes que comecem a chegar os japoneses carregados com máquinas fotográficas urge preparar o povo para este novo desígnio. É preciso uma palavra de ordem, um slogan que se propague como um rastilho irresistível:
- Nós só queremos ver… Portugal a arder!
O Mau
{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }
Por favor!
Que coisinha tão sem graça!
Eu cá se apanho um incendiário faço-lhe uma estátua carbonizada!
Tal como o condutor inconsciente nunca sabe de quem é a criança que pode aparecer na próxima passadeira, também esses senhores que ganham a vida a incendiar Portugal deviam lembrar-se que nunca sabem quem poderá ser a vítima do próximo fogo.
A Indústria do Fogo é hollywoodesca, com todas as economias envolventes…
Quando se fizer o Rescaldo…vamos ficar a saber que…
Apesar da área ardida e das condições climatéricas muito adversas, porque enfrentámos a maior onda de calor a nível global dos últimos quinhentos anos( a culpa é do Camões), mas fruto da boa coordenação das equipas em articulação com a (des)Protecção Civil, Portugal não ardeu tanto assim e a campanha FOI UM ÊXITO!!!
Vou-me para o fresco…