Está tudo contra nós!!!

30 de Março de 2011

em O Bom

Por causa disto, Lula e Dilma abandonaram Portugal antes do encontro com José Sócrates e Cavaco Silva.

É mesmo azar pá! Então recebemos os gajos com tudo do melhor, gastamos o que não temos para os alojar, pagamos almoços e jantares e ainda oferecemos um barrete muito bonito ao Lulinha que deve ter custado uma fortuna. Por incrível que pareça, precisamente quando íamos pedir dinheiro emprestado aos gajos… zás… eles piram-se!

Isto foi como convidarmos aqueles tios velhotes, solteirões e forretas para jantar cá em casa e depois do jantar servido e da despesa feita eles terem de sair a correr com uma qualquer dor de barriga mesmo mesmo antes de lhes pedir-mos dinheiro emprestado. É muito azar!

Como solução alternativa, proponho que o tio Sócrates vá à Alemanha engatar a Merkel. A mulher está tolinha por ele. O homem está divorciado e desempregado, ou se mete no álcool ou encontra um grande amor. E este amor bem que podia dar jeito a Portugal…

Adio, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye
Amore, Amour, Meine Liebe, Love Of My Life

Se o nosso amor findar, só me ouvirás cantar:

Este amor não tem grades, fronteiras, barreiras,
Muro em Berlim. É um mar, é um rio, é uma fonte
que nasce dentro de mim.

É o grito do meu Universo, das estrelas para onde
Eu regresso, onde sempre esta música paira no ar.

Este amor é um pássaro livre voando num céu azul que
Compõs a mais bela canção deste mundo, de Norte a Sul.

E as palavras que uso em refrão, fazem parte da mesma
Canção que ecoa nas galáxias da minha ilusão.

Adio, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye. Um grande amor.
Amore, Amour, Meine Liebe, Love Of My Life

Adio, Adieu, Auf Wiedersehen
Adio, Adieu, Auf Wiedersehen
Amore, Amour, Meine Liebe, Love Of My Life

O Mau

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Já repararam…

24 de Março de 2011

em BMS News,O Mau

Já repararam que os portugueses são como os Sportinguistas?

Conseguimos queimar primeiros-ministros como o Sporting queima treinadores. Não conseguimos ver que o mal não está só no “treinador” mas também, na nossa cultura, nas nossas convicções, nas nossas limitações e na nossa mania incessante e doentia de fugir dos problemas.

As últimas quatro pessoas responsáveis por nos governar acabaram a demitir-se ou a serem demitidos. Será que são todos fracos? Será que são todos propagandistas? Será que são todos incompetentes? Será que nós todos não temos também alguma responsabilidade?

Uma coisa é certa, fomos nós portugueses, pela nossa força, que motivamos e apoiamos o que se passou ontem no parlamento e o desfecho que se seguiu.

Não digo que fizemos bem nem mal. Apenas constato que fomos nós os responsáveis e que temos uma classe política que, ao contrário dos países do norte da Europa, nunca são capazes de se unir para fazer o melhor pelo país.

Agora vamos ter um novo governo, muito provavelmente do outro grande partido que se segue. O primeiro mês vai ser dedicado a dizer que a situação está muito pior do que se pensava. Que o governo anterior andou a mentir aos portugueses e que agora vão ter de ser mauzinhos para os portugueses mas não é por culpa deles.

Depois virão outros PEC’s. No geral serão iguaizinhos ao que agora foi chumbado e o ciclo vai repetir-se: no parlamento, nas ruas e na vida dos portugueses até que a situação se torne insustentável e o primeiro-ministro se demita ou seja demitido.

Se analisarem com atenção os últimos 25 anos. Quando o mundo e Portugal estava num ciclo económico favorável os governos foram estáveis e competentes. A partir do momento em que as adversidades chegaram, nunca mais um governo foi competente e não descansamos enquanto não o derrubamos.

É preciso deixar bem claro nas nossas cabeças que fomos nós que derrubamos este governo. Não foram necessárias manifestações como no Egipto, mas o resultado das que por cá se foram fazendo foi exactamente o mesmo.

Já dizia o ditado do povo: “Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.”

Venha o senhor seguinte.

O Mau

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No Blog Assobio Rebelde” da autoria de Maria dos Anjos, foi publicado o texto que de seguida transcrevo e que erradamente tem circulado pela internet atribuído (arbitrariamente por quem não sabia e não tem nada melhor para fazer…) a outros autores mais ou menos conhecidos do público.

Sem mais comentários, deixo o texto que, na minha opinião, não explica tudo mas resume muito bem alguns dos argumentos que aparecem na discussão do post anterior.

Geração à Rasca – A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem  Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde  uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a  informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem  são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

O Bom

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Á rasca? Vão á casa de banho.

26 de Fevereiro de 2011

em O Bom

Editorial do Destak da Isabel Stilwell:

“Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.

Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.

Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.

É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.

Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.

Empolgados com o novo ‘hino’, agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de ‘dizer basta’. Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.”

Esta história de esta geração se rever nesta musica dos Deolinda ( que na minha opinião, muito gosto, mas deviam deixar a musica de intervenção para os Homens da Luta), leva-me a achar que ou eu estou errado, ou na geração errada.
Senão vejamos, a letra da musica:

Música e letra: Pedro da Silva Martins

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Na minha juventude ( fim de faculdade):
Eu tive sorte em poder estagiar;
Vivi em casa dos meus pais até aos 29 anos ( que remédio);
Não tinha carro para pagar, porque nem tinha dinheiro para o comprar;
Sou escravo e precisei de estudar.

O que mudou nestes 20 anos?
Se esta é a geração á rasca, a minha foi a geração f***a!
Estudem…

O mau
Postscript: Eu quero é discussão sobre este tema , pode ser?

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Perry Blake ao vivo

10 de Fevereiro de 2011

em BMS News,O Bom

Quando? 04-02-2010 (já foi…)

Onde? São João da Madeira (mesmo aqui ao lado…)

Fazer o quê? Ver um espectáculo ao vivo de um dos songwriters mais relaxantes do panorama musical.

Bem analisado o evento, não foi bem um espectáculo, foi mais uma conversa descontraída intervalada por fantásticas melodias sussurradas aos nossos ouvidos. A música convidava a relaxar e a que nos afundássemos nas confortáveis cadeiras e temperatura do auditório dos Paços da Cultura. Foi isso mesmo que aconteceu e o ambiente era de tal forma intimista que se o Perry Blake não tivesse cuidado a destraçar a perna ainda acertava no nariz de quem estava na primeira fila.

Blake que já contou com a colaboração de Dickon Hinchliffe dos incontornáveis Tindersticks e cujas grandes referências são artistas do calibre de Leonard Cohen, David Sylvian, Scott Walker e Nick Drake, aparece sempre de forma discreta e despretensiosa nas digressões.

Faz-se acompanhar por dois músicos, um no baixo e ocasionalmente guitarra e outro ao piano. Blake opta por não tocar e dedica-se exclusivamente a cantar sentado os temas ainda mais melancólicos do que os originais.

Tal como afirmou antes do início de um dos grandes hinos da carreira – Ordinary Day: “Esta é uma das músicas mais alegres do meu reportório, e como é óbvio nós conseguimos torna-la miserável ao vivo”

As músicas foram caindo umas atrás das outras, sendo intercaladas por comentários de stand up comedy para a qual o cantor revela bastante habilidade.

Que dizer de momentos como Song For Someone? “… this is the song for no one, I have ever known, and I don’t need these old photographs, to tell me that I’m alone, this song is for someone, …”.
Ou uma Pretty Love Songs, do álbum California«…And we know they lie, but we’ll always try to, Sing pretty love songs…».

Pouco há a dizer sobre este senhor, capaz de nos fazer sentir algo de inexplicável, com uma receptividade em Portugal fora do normal, talvez comparável a outro artista marginal como Jay-Jay Johanson.

Foi um daqueles concertos em que não apetece dizer que foi espectacular, nem fabuloso, nem genial. Sai-se do concerto com a alma lavada, o coração aveludado e o estômago quentinho. Apetece sim, dizer que foi sublime. É este o melhor adjectivo para a voz e a música de Perry Blake.

Um serão bem passado, um preço acessível e mesmo aqui ao lado de Arouca. Que sorte que eu tenho por ter gostos musicais “duvidosos”… se eu apreciasse artistas como Shakira ou The Scripts como aprecio Perry Blake, tinha de ir para Lisboa pagar dezenas de Euros para estar a 40 metros do palco a “tentar” ver o concerto. Que sorte a minha :)

P.S.: O fatinho de veludo de Perry Blake (com o devido colete), confere um look angelical que se complementava com o foco de luz atrás da cabeça que aparentemente lhe estava a “derreter” o cérebro. Este foco de luz repartiu o protagonismo do concerto com o próprio artista.

O Bom

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O nosso mundo cor-de-rosa

5 de Fevereiro de 2011

em BMS News,O Bom,O Mau

Vemos por aí capas de revistas com títulos pomposos: “Como sobreviver a 2011”, “Como ultrapassar a crise”…

Se querem um conselho, ninguém mo pediu mas como é de borla e estamos em tempo de crise, eu dou na mesma para quem quiser aproveitar. Poupem o dinheiro da revista e sentem-se ao lado dos vossos pais, ou dos avós e perguntem-lhes como é que era à 30 anos. Não necessitam de revistas, nem gestores financeiros, nem de curandeiros, basta perguntar a quem à 30 anos queria comprar casa e enfrentava taxas de juros de 30% como é que eles conseguiram ultrapassar essa situação. A situação actual do país não está nada má. Acreditem que não. Está ainda longe de estar alinhada pela realidade. Ainda vai ter de piorar. Os spreds dos empréstimos bancários dispararam para valores a que os portugueses não estavam habituados. As taxas de juro estão a aumentar à 20 meses consecutivos mas continuam extremamente baixas. O BCE esta semana voltou a manter a taxa directora no mínimo histórico mas mais mês menos mês vai ter de aumentar. O problema não é 2011 como dizem as revistas. O problema é para vários anos. O problema está no modelo que se enraizou nas famílias portuguesas. Para casar é preciso ter casa, para ter um filho é preciso ter uma mobília e depois do puto nascer é preciso trocar o carro por uma carrinha. Continuo sem perceber como é que o meu pai conseguia levar mulher, dois filhos e muitas vezes a minha avó para todo o lado num Renault 5! Isto no tempo em que ainda se levava o belo farnel para a viagem com os tachos embrulhados em jornal! Agora os casais da minha idade não fazem nada disso porque é piroso, quando lá estivermos comemos na marisqueira.

O crédito bonificado, teve imensos efeitos positivos no desemprego, no desenvolvimento das empresas e do sistema bancário. Fez Portugal avançar e não se chegou a criar uma bolha imobiliária como em Espanha. O único problema que fez desmoronar todo este aparentemente bem montado esquema foi que ninguém explicou aos portugueses as implicações que este apoio tinha. Esta medida acabou por ser uma das grandes responsáveis pela disparatada corrida ao crédito nos últimos anos, apenas serviu para matar a tiro a consciência dos portugueses, para fazer disparar a construção civil com uma inflação de preços irrealista e para abrir a caixa de Pandora dos créditos bancários em Portugal. Os portugueses não perceberam que a ideia era ajudar as famílias a comprar uma casa adequada, no início da vida, e com isso, permitir-lhes fazer uma coisa que a geração anterior tinha mais dificuldades em fazer, pagar a casa e ao mesmo tempo constituir uma poupança para o futuro. O problema é que essas poupanças não apareceram e quando o estado fecha a torneira as pessoas desatam a insultar os bancos. Curioso, quando o dinheiro não custava nada os bancos eram um espectáculo, agora são o diabo! É óbvio que os bancos não andam cá para perder dinheiro, mas dizer que andaram a enganar os portugueses é uma forma muito nossa de nos desresponsabilizar-nos. Fiz um teste recentemente com alguns amigos. Perguntei quanto pagavam de prestação da casa neste momento. Todos sabem o valor. Perguntei desse valor, quanto era para juros e quando era para amortização de dívida. Quase nenhum sabe ao certo. A verdade é que uma boa parte de nós andamos cá por ver andar os outros. Compramos carros a gasóleo porque toda a gente sabe que compensa. Compramos casa em vez de arrendar porque toda a gente sabe que compensa. E agora não vamos de férias para o Algarve porque toda a gente sabe que não compensa, mais vale ir para fora. Quem fez estas contas? Ninguém sabe. E o pior ainda, é que ninguém as faz ou porque não sabe, ou porque (e esta para mim é a principal razão), não quer que alguma razão lógica e matemática se atravesse à frente do seu sonho.

É preciso abrir os olhos e deixar de acreditar só no que ouvimos no cabeleireiro. Sabem qual é a grande vantagem de acharmos que somos atrasados e que existem outros países mais avançados do que o nosso? É podermos ver como esses países vivem e os erros que cometeram. Como nós estamos atrás podemos evitar os mesmos erros e aprender com a experiência deles.

Todos nós dizemos que no Luxemburgo é que se vive bem. Mas o que teimamos em esquecer é que 90% dos habitantes não conseguem comprar casa devido ao preço absurdo da habitação. Por isso arrendam toda a vida e sabem que mais? Vivem muito bem!

Todos nós dizemos que na Inglaterra é que se vive bem. Mas o que teimamos em esquecer é que em Londres, uma das cidades mais ricas do mundo, 50% da população não tem carro próprio.

Porque será que os bancos neste último ano, deixaram de publicitar crédito à habitação, e passaram a publicitar de forma até agressiva (no bom sentido da palavra) os depósitos de poupança. Neste momento querem aforradores, e não gastadores e consumidores compulsivos. Teremos que primeiro poupar, para depois se poder gastar. Voltar ao lema de à 3 ou 4 décadas. O bem bom já se acabou. Fazer flores com o dinheiro dos outros, já foi chão que deu uvas. É pena que ainda haja muito Português que ainda não se deu conta desta situação. Ainda vivem no tempo da Alice no País das Maravilhas, ou no tempo em que o mundo era cor-de-rosa.

O Bom ou O Mau

(depende da interpretação de cada um do que acabou de ler)

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Reclamação

2 de Fevereiro de 2011

em BMS News,O Bom

Tenho uma reclamação a fazer.

Este ano, fui vacinado para a gripe sazonal e para a ex-famosa gripe A.

A verdade é que já é a segunda vez que ando engripado/entupido, todo ranhoso e com dor de cabeça, mas ainda não fiquei de baixa porque não dá febre!

Já percebo a vantagem das vacinas, andamos doentes na mesma mas temos de trabalhar.

Assim se eleva a produtividade deste pais: com sangue, suor e … ranho…

O Bom

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Será que eu percebi bem?

28 de Janeiro de 2011

em BMS News,O Mau

Ex-educadora alemã acusa Portugal de “máfia social”

Logo no primeiro parágrafo pode ler-se:

A Alemanha enviou nos últimos anos crianças e jovens problemáticos para serem reeducados em Portugal (…)

Empanquei logo nesta primeira frase.

Um país nórdico, ainda por cima a Alemanha, envia para Portugal jovens para serem educados por portugueses? E para melhorar mais o insólito, pagam uma fortuna por cada um!

Vamos lá ser modestos e realistas. Isto faz algum sentido???

O que eles estão a fazer é enviar quem acham que já não conseguem “fazer farinha” a ver se nós os aturamos cá e eles não voltam.

Aparentemente estão a conseguir os objectivos. Os alemães não são gente de dar ponto sem nó!

O Mau

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Já não me recordava de de tal explosão de alegria num jogo ao vivo.

O Arouca não foi superior ao Leixões, mas também não se pode dizer que tenha sofrido para manter o empate a zero.

A dada altura, dava a ideia que ambas as equipas queriam ganhar, mas tinham tanta vontade de ganhar como medo de perder. Por exemplo, ambas as equipas se apressavam para executar os lançamentos e os livres, mas não subiam em demasia no terreno nem colocavam muitos jogadores nos pontapés de canto. Ambas estavam a sofrer para não perder a cabeça e arriscar tudo. Nem se pode censurar, numa liga onde os empates são uma constante e onde a meio do campeonato o primeiro e o penúltimo classificados estão separados por 10 pontos, cada ponto é decisivo.

Daí a enorme importância desta vitória arrancada a ferros no último minuto dos descontos! É verdade, o Arouca consegue o golo ao minuto 92 e 30 segundos. Foi como aqueles finais de jogos de basquetebol em que o tempo termina quando a bola está em pleno voo para o cesto e vira o resultado do encontro.

Mais uma vez, um lance que não parecia particularmente perigoso numa fase em que já poucos conseguiam “ter pernas” para chegar à área adversária, vem o experiente Jorge Leitão a correr já bastante atrasado para o cruzamento de Hélder Silva e levanta todo o estádio em euforia. É um lance que o Jorge Leitão já nos mostrou diversas vezes, tem esta estrelinha que só alguns têm e que a experiência ajuda a revelar. Consegue não desistir nos momentos certos e aparecer em locais onde apenas ele acredita que vai estar a bola dali a uns segundos. É o que se vê na repetição do golo. Jorge Leitão corre, vai claramente atrasado para o cruzamento, mas não desiste, continua a correr na direcção onde o lance parecia ir morrer e aproveita a sobra.

É um golo que premeia o crer, o sacrifício e faz a segunda vitória seguida por um a zero onde o Arouca, não sendo superior, mostra união e vontade surpreendentes.

Mais uma vez, o estádio estava bem composto, apesar do preço dos bilhetes e da transmissão em Directo na SportTV. É bom constatar que ir ao estádio ver o Arouca continua a ser sinónimo de um Domingo bem passado para muitos e muitos arouquenses.

A manutenção está praticamente garantida, os velhos do restelo que adivinhavam uma vergonha na liga profissional já “arrumaram as botas” e resta apenas ao Arouca jogar descontraído e assim conseguir manter-se na luta com os clubes históricos pelos lugares do topo da tabela.

Próximo fim-de-semana, Freamunde-Arouca.

O Bom

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Mesmo altamente

14 de Janeiro de 2011

em BMS News,O Serrano

Hoje enquanto esperava numa oficina que fizessem a manutenção ao meu carro, estava para escrever um texto sobre uma ideia mesmo altamente que eu tive. O problema é que agora esqueci-me do que é que era. Mas tenho quase a certeza que vocês iam adoram e iam ficar mesmo a pensar: Espectáculo! Este blog é mesmo altamente, este Serrano é do melhor.

Caraças, não me lembro mesmo, não era sobre as eleições presidenciais sem primeiras damas, não era sobre a venda de dívida portuguesa, não era sobre o Carlos Castro, não era sobre o fim do mundo, não era sobre a página no Facebook do padre de Moldes, nem era sobre a mãe de todas as obras. Era sobre algo muito mais importante! Fogo, não me lembro mesmo! Mas lembro-me que era uma cena brutal que acho que ainda ninguém tinha escrito sobre isso e que se vocês lessem iam mesmo ficar de boca aberta e iam pensar: Espectáculo! Este blog é mesmo altamente, este Serrano é do melhor.

Eu agora posso escrever sobre outra coisa qualquer mas não vai ser a mesma coisa, vai ficar sempre aquela cena na minha cabeça, qual era a cena que eu queria contar? Porque eu tenho mesmo a certeza que vocês iam ficar tipo naquela, este Serrano é do melhor. Mas pronto. Paciência.

Fica para uma próxima.

O Serrano (que era para ser do melhor)

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