Lendo por aí: A propósito da estupidez, da ultima edição da Playboy Portuguesa

10 de Julho de 2010

em O Mau


A última edição da Playboy, a (des)propósito da morte do enorme José Saramago, resolve prestar-lhe uma estranha homenagem. Ridícula e parva, acrescento eu.
Que razão leva a colocar um modelo, a imitar Jesus Cristo, só para mostrar umas mulheres nuas?
Para quê, envolver símbolos da Igreja? Para provocar escândalo e assim vender mais? Claro.

Mas vejamos o que dizem outros, e com quem concordo plenamente:

Ganhámos tanto apego à nossa baixa auto-estima e ao hábito de acharmos que seremos sempre mais retrógados do que o mundo civilizado que por vezes nos esquecemos dos defeitos dos outros. A capa do último (?) número da Playboy, pacificamente aceite pelo público em geral e pela hierarquia católica em particular, acabou por causar mais furor nos distantes E. U. A. do que por cá, o que me parece bem e, sobretudo, previsível. De um país que alegremente concilia a mais pujante indústria pornográfica do mundo com o mais conservador evangelismo ou o ensino do Criacionismo em escolas oficiais tudo se deve esperar, incluindo declarações como as de Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy International, que afirma (julgo que sem se rir): “Não vimos nem aprovámos a capa e restantes fotografias do número de Julho da Playboy Portugal. Trata-se de uma violação chocante das nossas normas e não teria sido permitida a publicação se tivéssemos conhecimento antecipado. Devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o nosso acordo”. Ora bem, duvido que João César das Neves não consiga estar de acordo com estas declarações, e assim se poderá provar que les beaux esprits se rencontrent.

Cinquenta anos depois, a Playboy portuguesa surgiu, fora de tempo e ultrapassada pelos novos hábitos de consumo cibernéticos, e apenas tem conseguido ir um pouco mais longe do que o erotismo tímido de publicações masculinas como a FHM ou a Maxmen/Maxim. Sem ousadia nem brilho – o sexo feminino foi arredado das suas páginas ou então submerso em efeitos especiais photoshop de gosto duvidoso – a revista apenas se tem destacado por duas ou três suaves polémicas que terão impulsionado ocasionalmente as vendas, sendo o caso da professora de Vila Real o mais conhecido.

Restará a dúvida: terá sido o desespero ou a admiração por Saramago que terá levado à tal capa que evoca a santa imagem de Jesus em vão? A entrevista a Saramago que acompanha a produção – diga-se que, apesar do photoshop, esta nem é das piores que se têm visto por lá – é interessante (o entrevistador é um antigo director da versão brasileira, Humberto Werneck), mas não permite dissipar a dúvida: o que terá levado a senhora americana a benzer-se de forma tão apressada? A capa, a produção, a homenagem a um escritor comunista e reconhecidamente anti-capitalista?

A confirmar-se o fim da publicação, só nos resta esperar que haja uma versão portuguesa da Hustler, a revista criada nos anos setenta por Larry Flynt que pretendia ser o oposto da Playboy americana, que mostrasse mulheres reais, raparigas do lado, sem artificialismos, mais próxima dos potenciais compradores e mais subversiva, fugindo aos padrões de beleza definidos pela América dos anos 50 e perpetuados por uma nova burguesia dominante e conservadora que se apropriou e esvaziou do seu potencial revolucionário o erotismo que apenas existia em publicações underground, proibidas. Somando tudo, não haverá muita surpresa nas declarações da responsável norte-americana. A Playboy sempre foi a revista com mulheres nuas preferida do sistema. O que esperavam os editores da revista portuguesa?

Sérgio Lavos, aqui

PS: A reacção da casa mãe da Playboy, é fabricada, para vender. Para o mês que vem , está aí outra vez nas bancas ( a não ser que já desse prejuízo e era uma boa razão para fechar).
E sim, fui eu que censurei a foto da capa, que está aqui.

O Mau

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1 Armando Pinho 10 de Julho de 2010 às 5:54

SEM COMENTÁRIO?

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2 Andersom Gonçalo 10 de Julho de 2010 às 8:31

Acredito que a revista nada mais quis senão mostrar em algum detalhe como o que ocorre, a visão do Saramago. Não creio também que deva existir fronteiras para a expressão de opiniões e principalmente, a igreja nega mas e o que fazer do que se conhece acerca do casamento de Jesus e Madalena e que a doutrina nega, ela que ensina a ”verdade” e a omite sem respeito e sem pudor. A vida do homem Jesus é difundida em diversas culturas com nomes diferentes, basta que foquemos as nossas atenções na história e a ela investiguemos indo-nos bem ao que transparece, levando em conta as codificações que previam o entorno de alguns em defesa de interesses lógicos, que sabe-se daquelas idades, para outros. O Saramago, hoje se voltasse a vida, identificaria a heresia em cusparar-lhe o rosto como o fizeram os idólatras que lhe negaram o título de Nobel e o fizeram abandonar a terra onde nascera.
O propósito da revista talvez tenha uma identidade e que se revela a alguns poucos, então não há parvoismo e nem ridicularidade publicados para críticas mordazes. Eu não entenderia e por mais que alguém queira me persuadir, ainda assim, sou relutante aos entraves em que querer da opinião pública um véu até o pescoço, me perdoem os críticos de plantão, que mais me parecem aqueles acadêmicos obstinados por qualquer coisa e que acabam fazendo fazendo qualquer coisa, menos o que deveriam fazer. Ora, ora. Soube também que o corpo do Sara foi cremado. E isto me remete a idéia de que se ele não tivesse sido e preferido isso, agora ele deveria sair do caixão onde estivesse, e ir para a fogueira, não duvido que não o fizessem andar.
O que é ridículo e parvo senão algumas expressões que mais confundem do que explicam ou justificam… E que há de pior do que uma mente fechada as inovações, sem se dar ao mínimo trabalho do autenticar a universalidade de uma proposta para todos e não induzir como vemos pessoas hoje fazendo com relação a nações… Que triste!!!
Eu não leio uma playboy desde os meus vinte, trinta anos. Mas isso não quer dizer que por causa de uma capa saia correndo para uma banca de revista comprar uma edição só por que tem Cristo ou Maradona, peladões… Nem vem ao caso, o baixinho está fora e eu com isso, nada a dizer… Os ensinamentos do Cristo sim, as jogadas do Mara também, essas são as peças que eu poria num mosaico, portanto, do Pelé eu poria a Coroa de rei que ele é; Sou Oriente .”.

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3 joaquim toscano 13 de Julho de 2010 às 13:53

A b gui, perdão, Madalena, lembra-me alguém da nossa praça
O jp tocador de cavaquinho (perdão, é tempo de aquecer a fogueira com cavacos) lembra-me também alguém vagamente conhecido…
Música erótica, ou música celestial???
Estou a alucinar ou…completamente vesgo, segundo Saramago???

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4 Carlos Pinho 18 de Julho de 2010 às 11:17

Eu gostaria de saber se os editores da revista teriam a mesma coragem de colocar o Maomé numa capa sua ????????, Claro que não. São burros mas não loucos !!!!

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5 Igoor Doourado ' 14 de Agosto de 2010 às 20:18

pura falta de respeito , sem querer julgar alguem ou o responsavel , com Cristo , NÃO SE BRINCA ! E eu acredito que todos pagam por erros cometidos .

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