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O Mau

Já repararam…

24 de Março de 2011

em BMS News,O Mau

Já repararam que os portugueses são como os Sportinguistas?

Conseguimos queimar primeiros-ministros como o Sporting queima treinadores. Não conseguimos ver que o mal não está só no “treinador” mas também, na nossa cultura, nas nossas convicções, nas nossas limitações e na nossa mania incessante e doentia de fugir dos problemas.

As últimas quatro pessoas responsáveis por nos governar acabaram a demitir-se ou a serem demitidos. Será que são todos fracos? Será que são todos propagandistas? Será que são todos incompetentes? Será que nós todos não temos também alguma responsabilidade?

Uma coisa é certa, fomos nós portugueses, pela nossa força, que motivamos e apoiamos o que se passou ontem no parlamento e o desfecho que se seguiu.

Não digo que fizemos bem nem mal. Apenas constato que fomos nós os responsáveis e que temos uma classe política que, ao contrário dos países do norte da Europa, nunca são capazes de se unir para fazer o melhor pelo país.

Agora vamos ter um novo governo, muito provavelmente do outro grande partido que se segue. O primeiro mês vai ser dedicado a dizer que a situação está muito pior do que se pensava. Que o governo anterior andou a mentir aos portugueses e que agora vão ter de ser mauzinhos para os portugueses mas não é por culpa deles.

Depois virão outros PEC’s. No geral serão iguaizinhos ao que agora foi chumbado e o ciclo vai repetir-se: no parlamento, nas ruas e na vida dos portugueses até que a situação se torne insustentável e o primeiro-ministro se demita ou seja demitido.

Se analisarem com atenção os últimos 25 anos. Quando o mundo e Portugal estava num ciclo económico favorável os governos foram estáveis e competentes. A partir do momento em que as adversidades chegaram, nunca mais um governo foi competente e não descansamos enquanto não o derrubamos.

É preciso deixar bem claro nas nossas cabeças que fomos nós que derrubamos este governo. Não foram necessárias manifestações como no Egipto, mas o resultado das que por cá se foram fazendo foi exactamente o mesmo.

Já dizia o ditado do povo: “Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.”

Venha o senhor seguinte.

O Mau

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O nosso mundo cor-de-rosa

5 de Fevereiro de 2011

em BMS News,O Bom,O Mau

Vemos por aí capas de revistas com títulos pomposos: “Como sobreviver a 2011”, “Como ultrapassar a crise”…

Se querem um conselho, ninguém mo pediu mas como é de borla e estamos em tempo de crise, eu dou na mesma para quem quiser aproveitar. Poupem o dinheiro da revista e sentem-se ao lado dos vossos pais, ou dos avós e perguntem-lhes como é que era à 30 anos. Não necessitam de revistas, nem gestores financeiros, nem de curandeiros, basta perguntar a quem à 30 anos queria comprar casa e enfrentava taxas de juros de 30% como é que eles conseguiram ultrapassar essa situação. A situação actual do país não está nada má. Acreditem que não. Está ainda longe de estar alinhada pela realidade. Ainda vai ter de piorar. Os spreds dos empréstimos bancários dispararam para valores a que os portugueses não estavam habituados. As taxas de juro estão a aumentar à 20 meses consecutivos mas continuam extremamente baixas. O BCE esta semana voltou a manter a taxa directora no mínimo histórico mas mais mês menos mês vai ter de aumentar. O problema não é 2011 como dizem as revistas. O problema é para vários anos. O problema está no modelo que se enraizou nas famílias portuguesas. Para casar é preciso ter casa, para ter um filho é preciso ter uma mobília e depois do puto nascer é preciso trocar o carro por uma carrinha. Continuo sem perceber como é que o meu pai conseguia levar mulher, dois filhos e muitas vezes a minha avó para todo o lado num Renault 5! Isto no tempo em que ainda se levava o belo farnel para a viagem com os tachos embrulhados em jornal! Agora os casais da minha idade não fazem nada disso porque é piroso, quando lá estivermos comemos na marisqueira.

O crédito bonificado, teve imensos efeitos positivos no desemprego, no desenvolvimento das empresas e do sistema bancário. Fez Portugal avançar e não se chegou a criar uma bolha imobiliária como em Espanha. O único problema que fez desmoronar todo este aparentemente bem montado esquema foi que ninguém explicou aos portugueses as implicações que este apoio tinha. Esta medida acabou por ser uma das grandes responsáveis pela disparatada corrida ao crédito nos últimos anos, apenas serviu para matar a tiro a consciência dos portugueses, para fazer disparar a construção civil com uma inflação de preços irrealista e para abrir a caixa de Pandora dos créditos bancários em Portugal. Os portugueses não perceberam que a ideia era ajudar as famílias a comprar uma casa adequada, no início da vida, e com isso, permitir-lhes fazer uma coisa que a geração anterior tinha mais dificuldades em fazer, pagar a casa e ao mesmo tempo constituir uma poupança para o futuro. O problema é que essas poupanças não apareceram e quando o estado fecha a torneira as pessoas desatam a insultar os bancos. Curioso, quando o dinheiro não custava nada os bancos eram um espectáculo, agora são o diabo! É óbvio que os bancos não andam cá para perder dinheiro, mas dizer que andaram a enganar os portugueses é uma forma muito nossa de nos desresponsabilizar-nos. Fiz um teste recentemente com alguns amigos. Perguntei quanto pagavam de prestação da casa neste momento. Todos sabem o valor. Perguntei desse valor, quanto era para juros e quando era para amortização de dívida. Quase nenhum sabe ao certo. A verdade é que uma boa parte de nós andamos cá por ver andar os outros. Compramos carros a gasóleo porque toda a gente sabe que compensa. Compramos casa em vez de arrendar porque toda a gente sabe que compensa. E agora não vamos de férias para o Algarve porque toda a gente sabe que não compensa, mais vale ir para fora. Quem fez estas contas? Ninguém sabe. E o pior ainda, é que ninguém as faz ou porque não sabe, ou porque (e esta para mim é a principal razão), não quer que alguma razão lógica e matemática se atravesse à frente do seu sonho.

É preciso abrir os olhos e deixar de acreditar só no que ouvimos no cabeleireiro. Sabem qual é a grande vantagem de acharmos que somos atrasados e que existem outros países mais avançados do que o nosso? É podermos ver como esses países vivem e os erros que cometeram. Como nós estamos atrás podemos evitar os mesmos erros e aprender com a experiência deles.

Todos nós dizemos que no Luxemburgo é que se vive bem. Mas o que teimamos em esquecer é que 90% dos habitantes não conseguem comprar casa devido ao preço absurdo da habitação. Por isso arrendam toda a vida e sabem que mais? Vivem muito bem!

Todos nós dizemos que na Inglaterra é que se vive bem. Mas o que teimamos em esquecer é que em Londres, uma das cidades mais ricas do mundo, 50% da população não tem carro próprio.

Porque será que os bancos neste último ano, deixaram de publicitar crédito à habitação, e passaram a publicitar de forma até agressiva (no bom sentido da palavra) os depósitos de poupança. Neste momento querem aforradores, e não gastadores e consumidores compulsivos. Teremos que primeiro poupar, para depois se poder gastar. Voltar ao lema de à 3 ou 4 décadas. O bem bom já se acabou. Fazer flores com o dinheiro dos outros, já foi chão que deu uvas. É pena que ainda haja muito Português que ainda não se deu conta desta situação. Ainda vivem no tempo da Alice no País das Maravilhas, ou no tempo em que o mundo era cor-de-rosa.

O Bom ou O Mau

(depende da interpretação de cada um do que acabou de ler)

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Será que eu percebi bem?

28 de Janeiro de 2011

em BMS News,O Mau

Ex-educadora alemã acusa Portugal de “máfia social”

Logo no primeiro parágrafo pode ler-se:

A Alemanha enviou nos últimos anos crianças e jovens problemáticos para serem reeducados em Portugal (…)

Empanquei logo nesta primeira frase.

Um país nórdico, ainda por cima a Alemanha, envia para Portugal jovens para serem educados por portugueses? E para melhorar mais o insólito, pagam uma fortuna por cada um!

Vamos lá ser modestos e realistas. Isto faz algum sentido???

O que eles estão a fazer é enviar quem acham que já não conseguem “fazer farinha” a ver se nós os aturamos cá e eles não voltam.

Aparentemente estão a conseguir os objectivos. Os alemães não são gente de dar ponto sem nó!

O Mau

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Quarto 3416

8 de Janeiro de 2011

em BMS News,O Mau

A história do quarto 3416 é a história de um miúdo que queria ser famoso e conseguiu!

A história termina em Nova Iorque e é um local bem apropriado para terminar um enredo digno de um filme de Hollywood. Um miúdo com 20 anos, aparentemente prestes a licenciar-se, campeão nacional de basquetebol universitário, bem parecido, quer uma oportunidade no mundo da moda. Procura para isso um meio cada vez mais eficaz – o lobby gay.

Pelo que se vai lendo, este lobby que em tempos apenas funcionava no mundo do espectáculo e da televisão, está agora implementado em empresas, em conselhos de administração, na assembleia da república, nos juízes, na classe médica, etc. O tal miúdo procura quem o ajude e vai bater à porta de um famoso pivot no mundo do espectáculo e celebridades.

Tudo corre sobre rodas, o sénior decide dar um “empurrãozinho” ao jovem e seguem os dois para Nova Iorque numa espécie de lua-de-mel. Empurrão atrás de empurrão, aparentemente as coisas não correram tão bem como esperado e a história termina com um senhor de 65 anos morto violentamente e castrado no quarto 3416 e um jovem em fuga que mais tarde se apresenta num hospital com os pulsos cortados.

Bem, pelo menos uma coisa positiva, aparentemente, as cunhas e os favores para se subir na vida nem sempre funcionam! Às vezes vale mesmo a pena trabalhar e lutar para conseguir atingir os objectivos. Os caminhos aparentemente fáceis podem revelar dificuldades inesperadas e este jovem não soube lidar com elas.

Fica a pergunta: Quem ludibriou quem? Quem estava a aproveitar-se e quem estava a ser explorado? Ou será que se tratava genuinamente de um acaso, de um “amor à primeira vista”, de uma paixão assolapada que teve um final trágico que só o amor justifica?

Ou então, como diria Woody Allen: Whatever Works.

Fica a lição para quem a quiser assimilar.

O Mau

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Ditadura do Facebook

23 de Outubro de 2010

em BMS News,O Mau

Descobri recentemente, que um amigo com quem estava quase todos os fins-de-semana, ficou noivo.

Claro que fico feliz por ele, o caricato é que soube desta novidade através do facebook.

Julgo que a ditadura do facebook veio para ficar e para o ilustrar de forma cómica, recomendo vivamente verem este vídeo:

O Mau

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Após a última semana e de ouvir atentamente as opiniões de diversos familiares, colegas e amigos sobre o GPL, vou passar a circular com este dístico na traseira do meu carro mesmo ao lado do tradicional dístico azul do GPL (que em Portugal permanece obrigatório numa daquelas coisas em que gostamos de estar “orgulhosamente sós”…)

Pelo que me vão dizendo, o meu carro é muito perigoso. Todas estas opiniões têm um ponto em comum: vêm de pessoas que não sabem absolutamente nada de sistemas GPL, nunca tentaram saber, nem querem saber… mas eu como sou uma pessoa consciente, já vendi um dos carros e vou em breve vender o outro. Porque eu também não me informei mas estou em condições de afirmar com certeza absoluta que carros, camiões e motas, sejam a gasolina ou gasóleo, sejam novos ou velhos, nunca na vida se incendeiam. Juro pela minha saúde!!!

Tenho até notado que por onde passo de carro diversas pessoas sentem náuseas e tonturas do cheiro do gás. A minha mulher frequentemente adormece no carro quando vou a conduzir e agora percebo que é da toxicidade do gás.

A todos os arouquenses, peço desculpa por todos estes anos que fui proprietário e circulei com dois carros a GPL pelas ruas da vila. Se entretanto começarem a sentir-se melhor das dores de cabeça e tonturas que vos afectavam, é porque eram causadas pelos meus carros. Peço desculpa e já agora podem parar com a medicação para a tensão arterial porque a culpa das tonturas era do GPL!

O Mau

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Porque continua sempre actual, eis um escrito de outros tempos e de outras andanças…

Portugal inteirinho vai acabar por arder. Não adianda protestar, está decidido, é inevitável e ponto final.
Por isso, como temos que viver com esta realidade, o melhor é aproveitar ao máximo enquanto ninguém se preocupa a sério com isto e, se me permitem o atrevimento, deixarei algumas sugestões para proveitosas acções futuras.
Primeiro, há que começar por dignificar a figura do incendiário. Quantos de nós já não passaram umas horas divertidas a olhar para o fogo, nas noites quentes de Verão. Nas nossas varandas, confortavelmente instalados numa cadeira, de binóculos, analisando a altura das labaredas, imaginando a intensidade da fornalha. Depois, aquela parte muito divertida de ver aqueles pirilampos azuis a progredir devagar em direcção ao braseiro, atravessando caminhos de cabras, roçando o vazio na noite negra. E então, quando estão quase a chegar lá, um outro incêndio a começar, nas suas costas, e depois outro e ainda outro. É ver, então, a malta toda a apontar com o dedo e a espumar indignada: “assassinos”, “bandidos”, “criminosos”, etc. É mesmo giro! Durante o dia também é um espectáculo, diga-se de passagem. Aí, além das majestosas colunas de fumo, como cogumelos incandescentes, temos a mais valia das manobras dos meios aéreos. Isto sem falar do delicioso aroma do rescaldo fresco.
É por isso que eu fico revoltado quando ouço as pessoas dizer, quando apanham algum incendiário, que o deviam lançar ao fogo. Nada mais injusto! Que fizeram essas pessoas para evitar o fogo? E para o combater? E para alertar? Ele ao menos teve a coragem de o atear. Arriscou-se a um linchamento público ou a ficar transformado em torresmo e morrer no anonimato, enquanto todos beneficiavam do espectáculo que ele de uma forma heróica e desinteressada (ou não) oferecia a todos sem excepção. Enquanto ele sacrifica a sua honra pelo ordenamento do território, a administração florestal pouco ou nada colabora. Fazem estátuas ao bombeiro? Eu digo, façam ao lado uma estátua ao incendiário, que tanto merece. É uma justa homenagem por tantas emoções sentidas e por tantas reportagens consentidas.
Não brinco, e digo mais! Os incêndios que todos os anos chamuscam os nossos montes já carecas de tanto fogo deviam ser aproveitados para fins turísticos. Não riam! É isso mesmo, para fins turísticos! E turismo internacional. Parece que já estou a ver os folhetos das agências de viagens: “Fiordes da Noruega”, “Paraíso das Caraíbas”, “Palácios da Europa”, “Incêndios de Portugal”. Era um sucesso garantido para a nossa querida Arouca. Tão imponente como os “Vulcões da Islândia” mas com as vantagens do clima ameno, da nossa hospitalidade e singular gastronomia.
É preciso pegar neste novo projecto nacional e ateá-lo aos quatro ventos de modo a que ele alastre em todas as direcções do planeta. Mas antes que comecem a chegar os japoneses carregados com máquinas fotográficas urge preparar o povo para este novo desígnio. É preciso uma palavra de ordem, um slogan que se propague como um rastilho irresistível:
- Nós só queremos ver… Portugal a arder!

O Mau

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Franquelim Albertino residente em Espiunca, empresário em nome individual ligado ao ramo das alfaias agrícolas, pretende processar a Câmara Municipal de Arouca por ter ficado fechado no seu carro durante aproximadamente 14 horas à espera que um sinal mudasse de vermelho para verde e que mais tarde viria a descobrir-se estar esquecido. “Perdi um serão com a minha mulher, um belo jantar e uma boa noite de sono na minha cama. Tive um grande prejuízo nos meus negócios e até perdi os primeiros passos da minha filha mais nova e tudo por causa da incompetência da Câmara,” considera Franquelim que passou o seu 37º aniversário no banco do condutor de um Peugeot 306 cinzento metalizado. O presidente da Câmara  já reagiu e considera que a culpa do incidente é da Estradas de Portugal responsável pela empreitada que está a requalificar a EN224. Por sua vez, a Estradas de Portugal já reagiu e considera que a culpa é da falta de atenção de Franquelim que “devia ter percebido logo que o sinal estava esquecido no final de mais um dia de obras, como sucedeu com todos os outros condutores que por ele passaram.” Opinião contrária tem o médico do queixoso. De acordo com o doutor Simeão Sargentolas, Franquelim padece de uma doença rara, a síndroma da compreensão lenta ou doença de Bush, que o impede de se aperceber de coisas que poderão parecer óbvias, para uma pessoa dita normal, no mundo que o rodeia. No caso de a autarquia Arouquense não pagar a Franquelim a indemnização que pede, promete levar o caso até às últimas consequências, custe o que custar. Como último recurso, promete mesmo boicotar todo o fornecimento de alfaias agrícolas à Câmara Municipal de Arouca, causando assim enorme transtorno a todos os funcionários que deixarão de ter uma ferramenta para se debruçarem enquanto conversam tendo assim de meter as mãos nos bolsos causando má imagem à autarquia.

Aguardam-se novos desenvolvimentos.

O Mau

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A última edição da Playboy, a (des)propósito da morte do enorme José Saramago, resolve prestar-lhe uma estranha homenagem. Ridícula e parva, acrescento eu.
Que razão leva a colocar um modelo, a imitar Jesus Cristo, só para mostrar umas mulheres nuas?
Para quê, envolver símbolos da Igreja? Para provocar escândalo e assim vender mais? Claro.

Mas vejamos o que dizem outros, e com quem concordo plenamente:

Ganhámos tanto apego à nossa baixa auto-estima e ao hábito de acharmos que seremos sempre mais retrógados do que o mundo civilizado que por vezes nos esquecemos dos defeitos dos outros. A capa do último (?) número da Playboy, pacificamente aceite pelo público em geral e pela hierarquia católica em particular, acabou por causar mais furor nos distantes E. U. A. do que por cá, o que me parece bem e, sobretudo, previsível. De um país que alegremente concilia a mais pujante indústria pornográfica do mundo com o mais conservador evangelismo ou o ensino do Criacionismo em escolas oficiais tudo se deve esperar, incluindo declarações como as de Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy International, que afirma (julgo que sem se rir): “Não vimos nem aprovámos a capa e restantes fotografias do número de Julho da Playboy Portugal. Trata-se de uma violação chocante das nossas normas e não teria sido permitida a publicação se tivéssemos conhecimento antecipado. Devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o nosso acordo”. Ora bem, duvido que João César das Neves não consiga estar de acordo com estas declarações, e assim se poderá provar que les beaux esprits se rencontrent.

Cinquenta anos depois, a Playboy portuguesa surgiu, fora de tempo e ultrapassada pelos novos hábitos de consumo cibernéticos, e apenas tem conseguido ir um pouco mais longe do que o erotismo tímido de publicações masculinas como a FHM ou a Maxmen/Maxim. Sem ousadia nem brilho – o sexo feminino foi arredado das suas páginas ou então submerso em efeitos especiais photoshop de gosto duvidoso – a revista apenas se tem destacado por duas ou três suaves polémicas que terão impulsionado ocasionalmente as vendas, sendo o caso da professora de Vila Real o mais conhecido.

Restará a dúvida: terá sido o desespero ou a admiração por Saramago que terá levado à tal capa que evoca a santa imagem de Jesus em vão? A entrevista a Saramago que acompanha a produção – diga-se que, apesar do photoshop, esta nem é das piores que se têm visto por lá – é interessante (o entrevistador é um antigo director da versão brasileira, Humberto Werneck), mas não permite dissipar a dúvida: o que terá levado a senhora americana a benzer-se de forma tão apressada? A capa, a produção, a homenagem a um escritor comunista e reconhecidamente anti-capitalista?

A confirmar-se o fim da publicação, só nos resta esperar que haja uma versão portuguesa da Hustler, a revista criada nos anos setenta por Larry Flynt que pretendia ser o oposto da Playboy americana, que mostrasse mulheres reais, raparigas do lado, sem artificialismos, mais próxima dos potenciais compradores e mais subversiva, fugindo aos padrões de beleza definidos pela América dos anos 50 e perpetuados por uma nova burguesia dominante e conservadora que se apropriou e esvaziou do seu potencial revolucionário o erotismo que apenas existia em publicações underground, proibidas. Somando tudo, não haverá muita surpresa nas declarações da responsável norte-americana. A Playboy sempre foi a revista com mulheres nuas preferida do sistema. O que esperavam os editores da revista portuguesa?

Sérgio Lavos, aqui

PS: A reacção da casa mãe da Playboy, é fabricada, para vender. Para o mês que vem , está aí outra vez nas bancas ( a não ser que já desse prejuízo e era uma boa razão para fechar).
E sim, fui eu que censurei a foto da capa, que está aqui.

O Mau

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Este fim-de-semana “recebi” uns amigos do meu trabalho na nossa bela Serra da Freita. Fiquei pasmado ao perceber que não faltavam locais para “montar a tenda” nem para grelhar a bela carne arouquesa, mas metade das mesas e bancos em granito tinham desaparecido.

Só me ocorre a possibilidade de terem sido pessoas muito respeitadoras do meio ambiente que, numa azáfama de limpeza, levaram pratos, copos, guardanapos, restos de comida e blocos em granito de 800Kg por engano para o contentor do lixo.

No meu entender deviam fazer o seguinte:

1º – Amarrar um cão a cada mesa para impedir os mais distraídos de levarem as mesas e bancos para o lixo.

2º – Gravar em letras grandes no tampo da mesa a frase: “Sou burro como esta pedra que roubei!”

O que acho mais fantástico, é o empenho que é necessário para roubar aquelas mesas. É preciso um veículo apropriado. É preciso ajuda de várias pessoas. É preciso gastar tempo, dinheiro e muito esforço para levar a bom porto a tarefa. Não é uma coisa do género: “Olha que lindo calhou, deixa-me metê-lo no bolso sem ninguém ver”

Trata-se de algo notável do ponto de vista da organização, determinação e concretização. E ainda dizem que os portugueses não têm espírito empreendedor!

Quem sabe está nestas pequenas acções a chave para a saída da crise.

Eu posso começar já por sugerir que se crie um grupo de trabalho para ir a Barcelona e começar a roubar a Sagrada Família aos bocadinhos. Outro grupo podia, assim como quem não quer a coisa, assim mesmo “de fininho”, aproveitar que a Torre Eiffel está em obras e tratar de a começar a roubar aos poucos. Estou certo que muitos outros projectos paralelos poderiam ser feitos enriquecendo Portugal e aumentando as nossas exportações vendendo o produto do nosso suor.

É só uma ideia.

O Mau

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