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BMS Movies

Não se assustem. Não tive um ataque cardíaco enquanto escrevia o título deste post. Este senhor Agnieszka Wojtowicz-Vosloo é mesmo um ilustre desconhecido que aparece no grande ecrã com esta obra. Merecem destaque as interpretação de um excelente elenco cujas principais personagens são interpretadas por Christina Ricci, Liam Neeson e Justin Long.

Durante mais de hora e meia somos bombardeados pela sensualidade de Christina Ricci e pela enorme presença de Liam Neeson em diálogos que têm tanto de intensos como de verdadeiros.

Anna Taylor: Porque temos de morrer?
Eliot Deacon: Para que a vida seja importante.

Eliot Deacon: É apenas um buraco no chão. Ela pertence aqui.
Jack: Por estar morta?
Jack: Não, porque já não existe vida dentro dela.

A dada altura o filme torna-se algo confuso. Não pela história em si, mas porque vagueia um pouco entre o filme de suspense e o filme mais filosófico. Dá a ideia que o realizador ainda não sabia bem o que pretendia até ao final do filme. Lamentavelmente o caminho escolhido foi o mais banal à moda de Hollyhood. Se os últimos 5 minutos desaparecessem, o filme só tinha a ganhar. Na altura em que deveriam de aparecer as letras brancas sobre o fundo preto e em que nós deveríamos ficar a pensar sobre a nossa própria vida, eu só conseguia pensar porque raio tinham que estragar o filme…

Mas nem tudo é mau no final, houve o excelente bom gosto de colocar como música de fundo no genérico final a faixa “Exit Music (For a Film)” do memorável álbum OK Computer dos Radiohead. No mínimo curioso o título da música e que bem que fica naquele ecrã preto enquanto a nossa visão se desfoca e pensamos sobre o que acabamos de ver.

O Bom

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Serve este post para relembrar os mais distraídos que o filme Avatar de James Cameron acaba de ser lançado em DVD. Para quem estava ansioso por comprar o DVD, vou explicar porque razão já podiam ter este filme em casa à 26 anos e o livro de Frank Herbert que deu origem ao filme à 45 anos!

Em 2009 deu-se a estreia do filme mais caro de sempre Avatar, em 1984 um ainda inexperiente genial realizador David Lynch estreou um ignorado filme denominado Dune com um orçamento modesto.

Para quem não conhece a história do filme Avatar ou do filme Dune, deixo aqui um resumo da história original do Dune com os devidos cortes que o James Cameron fez e à frente em parênteses as “enormes” alterações introduzidas.

Ora vamos lá…

Reza a história que Paul Atreides (Jake Sully) como membro de organização Space Guild (Earth Marines) viaja até um estranho planeta com um deserto hostil chamado Arrakis (uma selva hostil e chamado Pandora). A morte do seu pai (irmão) força-o a tomar um lugar que não pediu na luta contra o povo indígena Fremen (Na’vi) que é diferente dos humanos por terem todos os olhos (a pele) azul brilhante. Acaba por se juntar a eles fascinado pela sua sabedoria de viver em harmonia com a natureza e a religião.

Paul (Jake) é visto como um estranho até que num momento em que está prestes a morrer conhece e “curte” com uma miúda local Chani (Neytiri) que é filha do líder dos indígenas que entretanto é morto pelas forças invasoras. Para ser aceite como membro pleno do clã, tem de cumprir com um tirual que consiste em dominar e montar uma minhoca toupeira gigante Shai-Hulud (um pássaro dragão grande). Com o objectivo de lutar contra a House Harkonen (a Corporação) pelo seu abuso na destruição do planeta em busca da especiaria Melange (do minério Unobtanium) que é a substância mais importante do universo porque permite aumentar as capacidades mentais e “teleportar” (? em 3h de filme não chegamos a perceber???), Paul (Jake) empenha-se em unir a tribo para uma derradeira luta. Para conseguir que acreditem que ele é o prometido pelos Deuses para os salvar, ele tem de beber a “água da vida” (mais uma vez montar um Toruk pássaro dragão ainda maior do que o primeiro que é mais fixe para os efeitos especiais…). Conta ainda com a ajuda de uma mulher sábia Lady Jessica (Dr. Grace) que estando do lado dos opressores, faz jogo duplo e ajuda o nosso herói.

Do lado dos opressores, existe um mau que é mesmo mau Baron Harkonnen (Colonel Miles) e cujo objectivo passa a ser simplesmente matar o nosso herói. Contra todas as probabilidades, os primitivos tecnologicamente inferiores conseguem vencer os poderosos opressores, terminando tudo numa luta mano-a-mano de faca na mão entre Paul (Jake) e Baron Harkonnen (Colonel Miles) usando o filho Feyd-Rautha Harkonnen (um robô comandado por ele que é mais fixe para os efeitos especiais…). O nosso herói vence libertando o planeta para um final feliz cumprindo a profecia anunciada.

Visualmente o filme Dune (Avatar) é inovador para a época, com centenas de milhar (milhões) gastos na sua produção. Um dos pontos altos do filme é a épica (banalíssima) banda sonora composta pelo génio de Brian Eno (o gajo que fez a do “Titanic”). Dune (Avatar) esteve em exibição à 26 anos!!! (à poucos meses).

Pelo menos a Academia de Hollywood teve a humildade de nomear Avatar para uma porrada de óscares mas nenhum para melhor argumento.

É claro que cada vez é mais difícil encontrarmos arte verdadeiramente original. Mas pelo menos quando se trata de trabalhos de grandes mestres da arte, com orçamentos megalómanos, o mínimo que se espera é que a história seja mais do que uma simples cópia de filmes que por uma ou outra razão não tiveram o mesmo sucesso.

Quando James Cameram disse que Avatar seria algo nunca visto, podia estar a falar de tudo menos da história do filme. Na minha opinião, Avatar é o filme Dune com uma porrada de Photoshop em cima da fotografia e uma dobragem sonora por cima da original. Provavelmente, esta foi e será para sempre a digitalização e remasterização de uma película antiga mais cara da história do cinema.

Já agora, o filme é fraquito… A ver por conta e risco de cada um.

Deixo-vos com um vídeo bastante divertido Avatar vs Dune

O Mau

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Whatever Works é mais um filme escrito e realizado por Woody Allen. Mais uma pérola sobre a existência humana. Um filme simples, descontraído e sobre o “nada”.

Não será alheio ao conceito do filme o facto de ter sido escolhido para protagonista principal um actor de segunda linha – Larry David. A obra maior deste escritor/actor/produtor é sem dúvida a série Seinfeld. Sitcom absolutamente revolucionária (na minha opinião de longe a melhor série televisiva de comédia alguma vez feita) da qual Larry David foi um dos criadores. A série Seinfeld ficou famosa por ser uma série sobre nada! Foi assim que foi apresentada aos investidores e foi assim que se desenrolou durante mais de uma década de filmagens. É uma série sobre tudo e sobre nada. Retrata as vidas de 4 personagens centrais e tal como as nossas próprias vidas, acontece-nos de tudo um pouco e nada de especial. Também este filme Whatever Works retrata os episódios delirantes e muito pouco prováveis de um conjunto de personagens mas que no fundo não têm qualquer importância.

O único sumo a retirar deste filme (e aqui reside a sua genialidade), é a consciência e tranquilidade de sabermos que a vida é mesmo assim: um conjunto de pequenos nadas que para nós são tudo e que devemos saber desfrutar sem ataques de pânicos fazendo aquilo que nos parecer melhor em cada altura. Costuma-se dizer que a ignorância é uma bênção e a verdade é que por vezes é mesmo!

Puseram-nos neste planeta uns por cada lado. Uns em África, outros na Antárctida, uns à larga, outros à rasca, uns a morrer de fome, outros a gastar fortunas para perder o apetite e emagrecer. Puseram uns bem e outros mal. Uns bem merecidamente e outros também que mais mereciam morrer. Uns mal apesar de serem bons, outros mal por culpa própria. Pronto. É chato, mas tem de ser.

Deixaram-nos aqui. É mesmo assim. É a vida. Tem graça, não tem? A vida tem graça. Nós temos graça. É engraçado estarmos todos aqui. A incerteza geral da existência, aliada à certeza particular do facto de termos nascido e de irmos um dia esticar o pernil, é de morrer de rir. Entre outras coisas. Já que nos puseram aqui, indispostos, mal distribuídos, condenados à confusão e à companhia dos outros, o mínimo que podemos fazer é pormo-nos o mais bem dispostos que pudermos.

No final do filme, é possível apreciar um monólogo que relata mais ou menos o seguinte:

Sou muito pouco adepto da ideia do “nunca mais é sexta-feira”. Parece que andamos todos desesperados por nos divertirmos. Sempre à espera do próximo fim-de-semana, do próximo feriado ou das próximas férias. Mortinhos por celebrar qualquer coisa na sexta-feira ao final da tarde. Mas celebrar o quê? Só se for o facto de estarmos uma semana mais perto de bater as botas!

Por isso é que não me canso de dizer: Todo o amor que possas dar e receber, qualquer felicidade que possas usufruir ou oferecer, qualquer esporádica dádiva que possas partilhar, o que quer que seja – aproveita todos os dias para aproveitar todo o dia.

E não te enganes, não é tudo fruto da nossa genialidade humana. Uma grande parte da nossa existência, maior do que gostamos de admitir, é sorte.

Por isso mais vale saltar todas as barreiras/preconceitos/fobias e lançar os dados…

O Bom

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Breves sobre os Oscares

9 de Março de 2010

em BMS Movies,O Bom

Nada como uma boa síntese plagiada, que tudo diz sobre os prémios deste ano:

É da minha vista ou a lista de candidatos ao Óscar de melhor filme era uma bela porcaria? De um “The Hurt Locker” que parece sempre quase a chegar algures até que acaba a meio, a um “Inglorious Basterds” cinéfilo ao extremo do solipsismo, passando por um telefilme escorreito como “Up in the Air” e pelo maior falhanço recente dos Cohen, nada ali se eleva acima da fasquia do entretenimento bem feitinho. Basta ver que um objecto meloso mas louvável como “Precious” até faz boa figura no meio de tal tralha. Não vale a pena carpir as ausências nem lamentar as regras da coisa – avaliar o estado do Cinema presente por esta cerimónia é como dar ouvidos ao festival da Eurovisão: uma perda de tempo ligeiramente tóxica.

Luis Rainha em 5dias.net

Eu acrecento, e para já apenas, que lamento que o melhor filme do ano ( que para variar não era de Hollywood),

Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte de Michael Haneke, não tenha ganho o prémio respectivo.

Já agora acrescento que a cerimónia em si, foi engraçadinha. Mas só isso.

O Bom

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Comprei este filme na semana passada e aproveitei para rever uma história que recordava com agrado mas que apenas tinha visto uma única vez quando estreou tinha eu 14 anos.  Escusado será dizer que todo o filme ganhou um novo significado…

Forrest Gump (1994) é um filme sobre o sentido da vida. Estamos perante um filme que é simultaneamente forte em estilo e conteúdo. Como qualquer grande filme, não pode ser julgado apenas pelos aspectos técnicos ou artísticos, mas pela profundidade da mensagem. Enquanto exalta a necessidade de experienciar a vida ao máximo, fá-lo no contexto de uma visão global que rejeita um sentido maior para a vida em favor de uma confusa mistura de acasos, acções e destinos desconhecidos e descontrolados. Trata-se de um drama existencial para o homem comum.

A história baseada no livro de Winstom Groom, explora a saga de vida de um homem simples, Forrest Gump, que com um QI no limiar do vegetatismo, vai alterar o mundo durante a sua vida sem sequer ter percepção disso.

Forrest encontra-se com presidentes dos Estados Unidos da América, influencia os jovens Elvis Presley e John Lennon. Está em eventos marcantes do século XX como a guerra do Vietname, o arranque da Apple e o rebentar do escândalo de Watergate. Apesar de tudo isto, ele nunca se apercebe do impacto que teve no mundo, permanece um homem simples com um simples amor pela vida e um simples desejo de ficar com a miúda dos seus sonhos Jenny.

Infelizmente para Forrester, Jenny teve uma infância de abusos o que a levou a uma vida de auto-destruição baseada em relações com homem que a mal tratam, defesa de causas da moda em detrimento das convicções pessoais e uso de drogas. As vidas de ambos seguem caminhos diferentes só para se reencontrarem anos depois periodicamente, nunca se conseguindo compatibilizar de forma permanente até ao final do filme.

Ao longo de toda história, interagem com Forrest várias pessoas sedentas de realizar os próprios sonhos e ambições, sempre na busca de algo maior que elas próprias que lhes dê um significado à vida. Desde o Tenente Dan que deseja seguir a linha da família de heróis de guerra falecidos, passando pelo colega de armas Bubba que sonha iniciar um negócio na pesca de marisco e terminando no sonho de Jenny de tornar-se famosa e poder tocar a vida das pessoas.

Não por acaso, nenhum deles consegue realizar os seus sonhos, mas também nenhum deles entra em desespero ou acha que a vida ficou sem significado. Todos encontram a vida para além dos sonhos por alcançar. Entretanto, o nosso simples herói não tem sequer o conceito de que haverá algo maior do que a sua simples existência. Ele atinge o tão badalado sucesso e concretização que todos anseiam, mas nem tão pouco o reconhece nem tem qualquer interesse nisso.

Salomão escreveu:

“Reparei em todas as obras feitas debaixo deste Sol, e vejam, todo é vaidade e desejo vão. Eu vi debaixo do Sol que a corrida não é para os apressados e a batalha não é para os guerreiros, nem o pão é para os sábios, nem a riqueza para os de discernimento, nem os favores para os homens habilidosos, pois o tempo e o acaso vencem tudo isso.” (Eclesiastes 1:14- 9:11)

Através do livro de Eclesiastes, Salomão escreve sobre a futilidade da vida de tantas e tantas pessoas sedentas de reconhecimento num mundo que simplesmente não o dá nem tem que dar.

O que nos traz até ao ponto fulcral da história de Forrest Gump, a relação entre capacidades inatas, oportunidades na vida, sorte ou simplesmente Deus e a felicidade.

Enquanto Salomão observa o absurdo da vida ao lado da força maior do universo que faz tudo ter sentido – Deus todo-poderoso, Forrest parte do princípio que não existe nenhuma força maior nem propósito etéreo a atingir na vida, incluindo Deus, e portanto temos de ser nós a traçar o nosso próprio destino (tal como a mãe explica a Forrest no leito de morte) e a reconhecer a nossa própria insignificância no universo abraçando a vida como ela nos foi apresentada. Com as capacidades que temos, com as condições familiares, sociais e económicas que temos, com a sorte que nos coube e apelando ao Deus que quisermos.

A mãe de Forrest dá-lhe uma dica acerca da vida: “A vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que nos vai sair.” (Traduzindo: Ninguém sabe o seu destino)

Bob Dylan escreveu: “The Answer, my friend, is Blow’in in the Wind…” (Traduzindo pelo significado: A resposta meu amigo, foi soprada com o vento…)

O que Bob Dylan provavelmente quis dizer quando escreveu esta música, foi simplesmente que não existe resposta para o sentido da vida. Apenas aqueles que completaram a viagem podem saber a resposta… porque a mereceram, ao alcançar o seu destino.

A pena que aparece logo no genérico inicial a voar ao sabor do vento e vai pousar precisamente no pé de Forrest representa simultaneamente as convicções do Tenente Dan de que todos temos um destino e a crença da mãe de Forrest de que a vida das pessoas flutuam pelo ar ao sabor da brisa. O próprio Forrest fala sobre isto na campa da Jenny quando diz: “Eu acho que são ambas as coisas. Talvez ambas possam acontecer ao mesmo tempo.”

E podem de facto, pois que a vida nada mais é do que um cocktail de erros e acasos à mistura com uma dose de decisões inteligentes.

O Bom

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