Vai-se Andando pelo Teatro

10 de Março de 2010

em BMS Events, O Bom

No passado Sábado fui com uma pequena “comitiva” de Arouca assistir a uma peça de teatro no Cine-Teatro de Estarreja.

Assistimos ao espectáculo “Vai-se Andando” com encenação de António Feio e actuação a solo de José Pedro Gomes. Durante cerca de 90 minutos o actor vai debitando algumas pérolas sobre Portugal e os Portugueses. Os textos contam com a participação de personalidades como Luísa Costa Gomes, Nuno Markl ou Nilton e reflectem um pouco da nossa identidade enquanto país e da nossa forma de vida em sociedade. As comparações com outros países e outras formas de ver a vida são constantes, geralmente numa perspectiva auto-crítica levada ao exagero. Da Política ao Desporto, passando pela Religião e pela Economia, tudo cabe numa peça que fala de tudo e acaba por não dizer nada. Nem seria necessário nenhuma conclusão nem nenhum propósito para tal espectáculo. Trata-se meramente de entretenimento, muitíssimo profissional, com uma actuação de classe superior de José Pedro Gomes, que justifica plenamente os 10€ do bilhete. A sala estava cheia e os bilhetes esgotados o que só mostra que haverá sempre lugar para mais e melhor teatro mesmo em “tempo de crise”. Será que esta peça em São João da Madeira, em Oliveira de Azeméis ou até em Arouca não esgotaria a sala???

Qualquer expressão artística é livre de não ter um sentido ou uma conclusão, mas eu pessoalmente gostaria de ter sido conduzido a uma conclusão sobre este estado de espírito que é: ser português.

Fiquei com a minha opinião, sempre bem disposta, sobre aquilo que somos e aquilo que poderemos ser enquanto país. Mesmo a brincar dizem-se algumas verdades.

Recomendo a experiência. Ajudem a manter as salas de espectáculos abertas!

O Bom

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Breves sobre os Oscares

9 de Março de 2010

em BMS Movies, O Bom

Nada como uma boa síntese plagiada, que tudo diz sobre os prémios deste ano:

É da minha vista ou a lista de candidatos ao Óscar de melhor filme era uma bela porcaria? De um “The Hurt Locker” que parece sempre quase a chegar algures até que acaba a meio, a um “Inglorious Basterds” cinéfilo ao extremo do solipsismo, passando por um telefilme escorreito como “Up in the Air” e pelo maior falhanço recente dos Cohen, nada ali se eleva acima da fasquia do entretenimento bem feitinho. Basta ver que um objecto meloso mas louvável como “Precious” até faz boa figura no meio de tal tralha. Não vale a pena carpir as ausências nem lamentar as regras da coisa – avaliar o estado do Cinema presente por esta cerimónia é como dar ouvidos ao festival da Eurovisão: uma perda de tempo ligeiramente tóxica.

Luis Rainha em 5dias.net

Eu acrecento, e para já apenas, que lamento que o melhor filme do ano ( que para variar não era de Hollywood),

Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte de Michael Haneke, não tenha ganho o prémio respectivo.

Já agora acrescento que a cerimónia em si, foi engraçadinha. Mas só isso.

O Bom

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Citando um Abrupto do JPP, que muito me fez pensar:

Como é que estão as escolas? Mal, com uma crise de autoridade do Ministério e bloqueadas. Saíram de uma e não estão dispostas a entrar em nenhuma outra. As ruínas da política do primeiro mandato de Sócrates ainda fumegam e cada um faz pela vida no meio dos destroços. Conseguir dar à educação uma política coerente tornou-se uma tarefa impossível para os próximos anos.

Como é que está a justiça? Pelas ruas, melhor, pelas avenidas da amargura. É o problema singular mais difícil de resolver que hoje temos, ainda mais difícil do que o da competitividade da economia. Na economia ainda há áreas de excelência rodeadas de crise por todo o lado. Na justiça entrou-se num pântano de descrédito muito semelhante ao que atravessa a política.

Como é que estão os campos? Ao abandono, ou produzindo apenas culturas subsidiadas. Há excepções, mas confirmam a regra. No entanto, o potencial está lá intacto, o que no meio desta desgraça ainda permite esperança porque a agricultura é estratégica numa crise.

Como é que estão as fábricas? Cada vez menos e cada vez mais paradas, cada vez mais a palavra designa apenas edifícios e cada vez menos um local onde se trabalha, cada vez mais as fábricas pertencem em Portugal ao domínio da arqueologia industrial.

Como é que está o emprego? Tragicamente mal. E vai continuar ainda mais tragicamente mal, mesmo que deixe de crescer como até agora, porque à medida que o tempo passa acaba os subsídios. Então aí é que a crise ameaça passar para as ruas.

Como é que está a economia? Paralisada e estagnada. Endividada e perdendo competitividade. Mas como uma parte da economia ainda escapa à mão do governo, ainda há oportunidades e há quem as esteja a usar. No meio deste descalabro, não é o pior.

Como é que está a natalidade, um indicador de futuro? Olhe-se para a Pordata, a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e olhe-se para os indicadores dinâmicos da população e da natalidade e parece que um bloco de gelo pousou nos números. Em baixo voam os números da despesa…

Como é que está a corrupção? A fazer um upgrade.

Como é que está o governo? Bloqueado e sem saber o que fazer

Como é que estão os portugueses? Sem esperança, cansados, e zangados com os políticos.

Como é que está o Primeiro-ministro? Impante de optimismo e feliz consigo próprio.

Como é que está o PS? Perplexo, percebendo que vem aí tempestade da grossa, mas agarrado ao poder. Alguma coisa tem que mudar.

Como é que e está a oposição? Perplexa, percebendo que vem aí tempestade da grossa, mas sem saber o que fazer. Alguma coisa tem que mudar.

Como é que estão os bons? Mal.

Como é que estão os maus? Bem.

Como é que está o JPP, e como está o PSD?

Perdoem-me a linguagem, mas como raio está este País?

Mais pergunto, se me é permitido: Como chegamos a este ponto?

Eu de facto, e é verdade, não percebo nada de tudo.

O Serrano

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Dia de greve

4 de Março de 2010

em O Bom

Porque hoje foi dia de greve da função pública, também tive preguiça de escrever alguma coisa.

Assim, limito-me a copiar o Daniel Oliveira:

Não é que um privilegiado, cheio de guito no bolso, que passa o dia na secretária sem fazer nenhum e vive à conta dos contribuintes não me foi recolher o lixo esta noite?

O mau

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Comprei este filme na semana passada e aproveitei para rever uma história que recordava com agrado mas que apenas tinha visto uma única vez quando estreou tinha eu 14 anos.  Escusado será dizer que todo o filme ganhou um novo significado…

Forrest Gump (1994) é um filme sobre o sentido da vida. Estamos perante um filme que é simultaneamente forte em estilo e conteúdo. Como qualquer grande filme, não pode ser julgado apenas pelos aspectos técnicos ou artísticos, mas pela profundidade da mensagem. Enquanto exalta a necessidade de experienciar a vida ao máximo, fá-lo no contexto de uma visão global que rejeita um sentido maior para a vida em favor de uma confusa mistura de acasos, acções e destinos desconhecidos e descontrolados. Trata-se de um drama existencial para o homem comum.

A história baseada no livro de Winstom Groom, explora a saga de vida de um homem simples, Forrest Gump, que com um QI no limiar do vegetatismo, vai alterar o mundo durante a sua vida sem sequer ter percepção disso.

Forrest encontra-se com presidentes dos Estados Unidos da América, influencia os jovens Elvis Presley e John Lennon. Está em eventos marcantes do século XX como a guerra do Vietname, o arranque da Apple e o rebentar do escândalo de Watergate. Apesar de tudo isto, ele nunca se apercebe do impacto que teve no mundo, permanece um homem simples com um simples amor pela vida e um simples desejo de ficar com a miúda dos seus sonhos Jenny.

Infelizmente para Forrester, Jenny teve uma infância de abusos o que a levou a uma vida de auto-destruição baseada em relações com homem que a mal tratam, defesa de causas da moda em detrimento das convicções pessoais e uso de drogas. As vidas de ambos seguem caminhos diferentes só para se reencontrarem anos depois periodicamente, nunca se conseguindo compatibilizar de forma permanente até ao final do filme.

Ao longo de toda história, interagem com Forrest várias pessoas sedentas de realizar os próprios sonhos e ambições, sempre na busca de algo maior que elas próprias que lhes dê um significado à vida. Desde o Tenente Dan que deseja seguir a linha da família de heróis de guerra falecidos, passando pelo colega de armas Bubba que sonha iniciar um negócio na pesca de marisco e terminando no sonho de Jenny de tornar-se famosa e poder tocar a vida das pessoas.

Não por acaso, nenhum deles consegue realizar os seus sonhos, mas também nenhum deles entra em desespero ou acha que a vida ficou sem significado. Todos encontram a vida para além dos sonhos por alcançar. Entretanto, o nosso simples herói não tem sequer o conceito de que haverá algo maior do que a sua simples existência. Ele atinge o tão badalado sucesso e concretização que todos anseiam, mas nem tão pouco o reconhece nem tem qualquer interesse nisso.

Salomão escreveu:

“Reparei em todas as obras feitas debaixo deste Sol, e vejam, todo é vaidade e desejo vão. Eu vi debaixo do Sol que a corrida não é para os apressados e a batalha não é para os guerreiros, nem o pão é para os sábios, nem a riqueza para os de discernimento, nem os favores para os homens habilidosos, pois o tempo e o acaso vencem tudo isso.” (Eclesiastes 1:14- 9:11)

Através do livro de Eclesiastes, Salomão escreve sobre a futilidade da vida de tantas e tantas pessoas sedentas de reconhecimento num mundo que simplesmente não o dá nem tem que dar.

O que nos traz até ao ponto fulcral da história de Forrest Gump, a relação entre capacidades inatas, oportunidades na vida, sorte ou simplesmente Deus e a felicidade.

Enquanto Salomão observa o absurdo da vida ao lado da força maior do universo que faz tudo ter sentido – Deus todo-poderoso, Forrest parte do princípio que não existe nenhuma força maior nem propósito etéreo a atingir na vida, incluindo Deus, e portanto temos de ser nós a traçar o nosso próprio destino (tal como a mãe explica a Forrest no leito de morte) e a reconhecer a nossa própria insignificância no universo abraçando a vida como ela nos foi apresentada. Com as capacidades que temos, com as condições familiares, sociais e económicas que temos, com a sorte que nos coube e apelando ao Deus que quisermos.

A mãe de Forrest dá-lhe uma dica acerca da vida: “A vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que nos vai sair.” (Traduzindo: Ninguém sabe o seu destino)

Bob Dylan escreveu: “The Answer, my friend, is Blow’in in the Wind…” (Traduzindo pelo significado: A resposta meu amigo, foi soprada com o vento…)

O que Bob Dylan provavelmente quis dizer quando escreveu esta música, foi simplesmente que não existe resposta para o sentido da vida. Apenas aqueles que completaram a viagem podem saber a resposta… porque a mereceram, ao alcançar o seu destino.

A pena que aparece logo no genérico inicial a voar ao sabor do vento e vai pousar precisamente no pé de Forrest representa simultaneamente as convicções do Tenente Dan de que todos temos um destino e a crença da mãe de Forrest de que a vida das pessoas flutuam pelo ar ao sabor da brisa. O próprio Forrest fala sobre isto na campa da Jenny quando diz: “Eu acho que são ambas as coisas. Talvez ambas possam acontecer ao mesmo tempo.”

E podem de facto, pois que a vida nada mais é do que um cocktail de erros e acasos à mistura com uma dose de decisões inteligentes.

O Bom

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Para quem lê o “Sol”

27 de Fevereiro de 2010

em O Bom

Santana Lopes a o “Sol”, ( para quem não conhece é um jornal Angolano, que também saí cá)::

«O país, o PSD e o Sporting estão iguais». A isso não será alheio o facto de PSL já ter liderado os três.

Rui Herbon em o Jugular.

Eu nem digo nada.


O Bom

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A Liga Portuguesa para a Defesa da Moral (LPDM) prepara-se para entregar uma petição (pode consultar aqui) na Assembleia da República em que irá exigir a atribuição imediata da classificação “para maiores de 18 anos” aos mapas de Portugal e a alteração do nome de algumas povoações por considerar que os mesmos atentam contra a moral dos portugueses íntegros.

“Apercebi-me disto quase por acaso. Estava a passar os olhos por um mapa do nosso país e fiquei escandalizado com os nomes que lá li. Queimei-o imediatamente para não cair nas mãos inocentes e puras das minhas queridas filhas e muito menos nas dos seus filhos ilegítimos,” afirmou o presidente da LPDM, o engenheiro Marcolino de Almeida.

Nomes de localidades como Picha, Colo do Pito, Coina, Meda e Côto do Boi, são dos que mais chocam os defensores da moral e bons costumes e não hesitam em sugerir uma alteração imediata dos nomes. “Para estes casos, propúnhamos os nomes: São Bartolomeu, Santa Catarina, São Rafael e Santa Maria dos Bovinos,” diz Marcolino de Almeida e acrescenta que “temos a certeza que os próprios habitantes se sentiriam muito melhor a viver em terras com nomes decentes.”

Tal não parece ser verdade. No lugar de Côto do Boi no concelho de Arouca, vários dos seus habitantes rejeitam uma possível alteração do nome da sua terra. Até o pároco considera que “a terra chama-se Côto do Boi há mais de 120 anos, desde que lhe mudaram o nome de Concúbito de Bovino (que ninguém entendia o que queria dizer) para o actual… não vejo motivo para fazer mais uma alteração.”

Por incrível que pareça não são apenas os nomes mais escabrosos que chocam os membros da LPDM. Na petição também se sugere a alteração dos nomes de localidades como Caminha, Freixo de Espada à Cinta, Moita, Venda das Raparigas e Pontinha. Para estes casos, as alterações propostas são, respectivamente: Cadeirinha, Freixo de Espada às Calças, Arbusto, Venda de Nosso Senhor e Extremidade.

Aguarda-se para breve a discussão parlamentar desta petição que se adivinha muito polémica, sobretudo porque uma das exigências é a demolição das Caldas da Rainha não por o nome desta localidade ter um significado escabroso mas porque a simples menção do nome é suficiente para levas às mentes incautas imagens de louça tradicional representando partes da anatomia íntima masculina e feminina.

O Mau

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Pela verdade desportiva?

23 de Fevereiro de 2010

em Futebol, O Bom

Cerca de 300 adeptos manifestaram esta tarde a sua revolta pelos castigos impostos pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, acreditando haver um complô contra o FC Porto.

Onde viveram estes 300 adeptos nos últimos 25 anos?

Como já alguém disse, e eu reafirmo: Ser roubado custa não custa?

Agora vocês é só à um ano ( se é que estão a ser roubados, o que também tenho as minhas dúvidas), imaginem assim durante 25 anos.

Eu sobrevivi, serão que vocês conseguem?

O mau

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Benfica 4 – 0 Hertha

23 de Fevereiro de 2010

em Futebol, O Mau

Dia: terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010 (dia útil)

Hora: 17h

Local: Estádio da Luz, Lisboa

Número total de espectadores: 30.500

Terá sido uma demonstração de força do Glorioso ou a Taxa de Desemprego ao serviço do futebol???

O Mau

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Dois meninos estavam a sair do Estádio de Alvalade, quando um deles é
atacado por um cão, da raça Rottweiler.
O outro menino, imediatamente, agarra num tubo de metal e dá com ele na
cabeça do animal, matando-o, permitindo assim que o amigo escape apenas com
alguns arranhões.

Ao ver a cena, um jornalista que passava pelo local correu para ser o
primeiro a cobrir o acontecimento e escreveu no seu caderninho:

“Jovem verde e branco, salva amigo do ataque de um cão.”
- Mas eu não sou verde e branco, disse o menino.
E então, o repórter corrige para:
“Bravo pequeno herói benfiquista salva amigo das garras de animal feroz”.
- Mas eu também não sou benfiquista, disse o menino novamente.
- Desculpa outra vez, apenas pensei que como estamos em Lisboa e não és
verde e branco, deverias ser benfiquista.
Afinal, de que equipa és tu?
- Sou Portista.
E o repórter volta a escrever em seu caderninho:
“Delinquente portista assassina brutalmente animal doméstico indefeso”

O Serrano

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