Após a última semana e de ouvir atentamente as opiniões de diversos familiares, colegas e amigos sobre o GPL, vou passar a circular com este dístico na traseira do meu carro mesmo ao lado do tradicional dístico azul do GPL (que em Portugal permanece obrigatório numa daquelas coisas em que gostamos de estar “orgulhosamente sós”…)
Pelo que me vão dizendo, o meu carro é muito perigoso. Todas estas opiniões têm um ponto em comum: vêm de pessoas que não sabem absolutamente nada de sistemas GPL, nunca tentaram saber, nem querem saber… mas eu como sou uma pessoa consciente, já vendi um dos carros e vou em breve vender o outro. Porque eu também não me informei mas estou em condições de afirmar com certeza absoluta que carros, camiões e motas, sejam a gasolina ou gasóleo, sejam novos ou velhos, nunca na vida se incendeiam. Juro pela minha saúde!!!
Tenho até notado que por onde passo de carro diversas pessoas sentem náuseas e tonturas do cheiro do gás. A minha mulher frequentemente adormece no carro quando vou a conduzir e agora percebo que é da toxicidade do gás.
A todos os arouquenses, peço desculpa por todos estes anos que fui proprietário e circulei com dois carros a GPL pelas ruas da vila. Se entretanto começarem a sentir-se melhor das dores de cabeça e tonturas que vos afectavam, é porque eram causadas pelos meus carros. Peço desculpa e já agora podem parar com a medicação para a tensão arterial porque a culpa das tonturas era do GPL!
Sexta-feira, dia 20 de Agosto de 2010, vou a passear com uns amigos junto ao Convento quando ouço música vinda do terreiro e um palco iluminado. Curiosos, avançamos na direcção do palco e perguntamos o que se passava. Um jovem de que não sei a nacionalidade responde que o grupo de voluntariado que está em Arouca desde Maio vai fazer um pequeno concerto de despedida. Aparentemente, a ideia do concerto apareceu caída do céu e num par de horas conseguiram reunir uma guitarra, um baixo, um violino, um órgão e uma bateria. Complementaram com uns microfones, uma mesa de som, umas colunas e dois focos para iluminar o palco. Para reunir todo este equipamento, contaram com a ajuda de jovens amigos arouquenses que correram a lista de contactos de cada um por forma a tornar possível reunir tudo em pouco tempo. (como é evidente não confirmei estas informações nem isso interessa para o efeito…)
Por volta das 23h iniciaram um pequeno espectáculo que, conseguiu reunir para além do grupo de jovens estrangeiros, um animado grupo de arouquenses. Ao todo, estivemos na plateia cerca de 50 a 70 pessoas.
E foi pena estarem tão poucas pessoas. É verdade que não foi anunciado, é verdade que não era suposto estarem muitas pessoas a assistir, mas também é verdade que muitas foram as pessoas que viram os preparativos e ouviram a música (na repleta esplanada do parque era possível ouvir perfeitamente que algo estava a decorrer no terreiro). Quanto mais não fosse por curiosidade, a arte deveria de atrair sempre mais pessoas interessadas em passar um pouco do tempo a apreciar e porque não, a criticar! O importante na arte é ter quem a aprecie. Não é necessário que todos gostem!
O facto é que soube mesmo muito bem apreciar o jovem “John” vocalista/guitarrista, acompanhado de um baixista/teclista, de uma amiga no violino e outro elemento feminino no baixo. A actuação contou ainda com a participação de outra jovem que entre o público decidiu também subir ao palco e interpretar uma música.
Sobressaiu evidentemente o talento do jovem vocalista que perante a insistência do público acabou por ficar em palco sozinho a fazer solo atrás de solo dado que os colegas não tinham mais músicas ensaiadas em conjunto.
Fica uma foto e um pequeno vídeo do final de uma das músicas.
Mais uma noite interessante no verão de Arouca, um momento de enorme prazer e intimidade sem necessidade de orçamento, sem bilhetes de entrada e curiosamente… quase sem público. Foi pena!
Porque continua sempre actual, eis um escrito de outros tempos e de outras andanças…
Portugal inteirinho vai acabar por arder. Não adianda protestar, está decidido, é inevitável e ponto final.
Por isso, como temos que viver com esta realidade, o melhor é aproveitar ao máximo enquanto ninguém se preocupa a sério com isto e, se me permitem o atrevimento, deixarei algumas sugestões para proveitosas acções futuras.
Primeiro, há que começar por dignificar a figura do incendiário. Quantos de nós já não passaram umas horas divertidas a olhar para o fogo, nas noites quentes de Verão. Nas nossas varandas, confortavelmente instalados numa cadeira, de binóculos, analisando a altura das labaredas, imaginando a intensidade da fornalha. Depois, aquela parte muito divertida de ver aqueles pirilampos azuis a progredir devagar em direcção ao braseiro, atravessando caminhos de cabras, roçando o vazio na noite negra. E então, quando estão quase a chegar lá, um outro incêndio a começar, nas suas costas, e depois outro e ainda outro. É ver, então, a malta toda a apontar com o dedo e a espumar indignada: “assassinos”, “bandidos”, “criminosos”, etc. É mesmo giro! Durante o dia também é um espectáculo, diga-se de passagem. Aí, além das majestosas colunas de fumo, como cogumelos incandescentes, temos a mais valia das manobras dos meios aéreos. Isto sem falar do delicioso aroma do rescaldo fresco.
É por isso que eu fico revoltado quando ouço as pessoas dizer, quando apanham algum incendiário, que o deviam lançar ao fogo. Nada mais injusto! Que fizeram essas pessoas para evitar o fogo? E para o combater? E para alertar? Ele ao menos teve a coragem de o atear. Arriscou-se a um linchamento público ou a ficar transformado em torresmo e morrer no anonimato, enquanto todos beneficiavam do espectáculo que ele de uma forma heróica e desinteressada (ou não) oferecia a todos sem excepção. Enquanto ele sacrifica a sua honra pelo ordenamento do território, a administração florestal pouco ou nada colabora. Fazem estátuas ao bombeiro? Eu digo, façam ao lado uma estátua ao incendiário, que tanto merece. É uma justa homenagem por tantas emoções sentidas e por tantas reportagens consentidas.
Não brinco, e digo mais! Os incêndios que todos os anos chamuscam os nossos montes já carecas de tanto fogo deviam ser aproveitados para fins turísticos. Não riam! É isso mesmo, para fins turísticos! E turismo internacional. Parece que já estou a ver os folhetos das agências de viagens: “Fiordes da Noruega”, “Paraíso das Caraíbas”, “Palácios da Europa”, “Incêndios de Portugal”. Era um sucesso garantido para a nossa querida Arouca. Tão imponente como os “Vulcões da Islândia” mas com as vantagens do clima ameno, da nossa hospitalidade e singular gastronomia.
É preciso pegar neste novo projecto nacional e ateá-lo aos quatro ventos de modo a que ele alastre em todas as direcções do planeta. Mas antes que comecem a chegar os japoneses carregados com máquinas fotográficas urge preparar o povo para este novo desígnio. É preciso uma palavra de ordem, um slogan que se propague como um rastilho irresistível: - Nós só queremos ver… Portugal a arder!
Podia escrever muito, com palavras da minha lavra, aquilo que esses Voluntários andam á semanas a fazer por esse País.
Já o estive para fazer por várias vezes, mas fogem-me as palavras, quase sempre para o elogio fácil, que não é o que eles merecem, nem querem.
No entanto, indicaram-me ontem um texto do FERREIRA FERNANDES no DN, e após a sua leitura, fiquei sem palavras.
Por isso e só, aqui as deixo:
Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos – e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude. Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: “Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas.” Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar… Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos. Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?
Aproveito ainda, para quem quiser saber mais sobre estes nobres voluntários , um blog, cujo link me foi enviado por um desses amigos, e que vale a pena ir seguindo: BPS
Franquelim Albertino residente em Espiunca, empresário em nome individual ligado ao ramo das alfaias agrícolas, pretende processar a Câmara Municipal de Arouca por ter ficado fechado no seu carro durante aproximadamente 14 horas à espera que um sinal mudasse de vermelho para verde e que mais tarde viria a descobrir-se estar esquecido. “Perdi um serão com a minha mulher, um belo jantar e uma boa noite de sono na minha cama. Tive um grande prejuízo nos meus negócios e até perdi os primeiros passos da minha filha mais nova e tudo por causa da incompetência da Câmara,” considera Franquelim que passou o seu 37º aniversário no banco do condutor de um Peugeot 306 cinzento metalizado. O presidente da Câmara já reagiu e considera que a culpa do incidente é da Estradas de Portugal responsável pela empreitada que está a requalificar a EN224. Por sua vez, a Estradas de Portugal já reagiu e considera que a culpa é da falta de atenção de Franquelim que “devia ter percebido logo que o sinal estava esquecido no final de mais um dia de obras, como sucedeu com todos os outros condutores que por ele passaram.” Opinião contrária tem o médico do queixoso. De acordo com o doutor Simeão Sargentolas, Franquelim padece de uma doença rara, a síndroma da compreensão lenta ou doença de Bush, que o impede de se aperceber de coisas que poderão parecer óbvias, para uma pessoa dita normal, no mundo que o rodeia. No caso de a autarquia Arouquense não pagar a Franquelim a indemnização que pede, promete levar o caso até às últimas consequências, custe o que custar. Como último recurso, promete mesmo boicotar todo o fornecimento de alfaias agrícolas à Câmara Municipal de Arouca, causando assim enorme transtorno a todos os funcionários que deixarão de ter uma ferramenta para se debruçarem enquanto conversam tendo assim de meter as mãos nos bolsos causando má imagem à autarquia.
O actor e encenador António Feio morreu na quinta-feira à noite, aos 55 anos, no Hospital da Luz, em Lisboa, onde estava internado desde terça-feira.
António Feio começou a carreira aos 11 anos, no Teatro Experimental de Cascais, depois de o seu director, Carlos Avilez, o ter convidado para fazer a peça “O Mar”, de Miguel Torga, que estreou a 6 de maio de 1966.
Imortalizou diversas personagens e expressões que irão imortalizar o seu nome e o seu talento.
O BMS deixa aqui expressa a sua admiração e agradecimento pelo trabalho desenvolvido em vida e pelo exemplo de força deixado após a sua morte.
O Centro Social e Paroquial de São Salvador do Burgo inaugurou o seu equipamento social no âmbito do programa PARES no último sábado dia 24 de Julho de 2010. O novo edifício dará resposta a três valências – um Centro de Dia para trinta idosos, uma Creche que albergará trinta crianças e um serviço para apoio domiciliário a trinta famílias carenciadas da freguesia.
Foi com grande satisfação que visitei as instalações mesmo antes da inauguração e verifiquei as excelentes condições que apresenta e que promete ter um impacto enorme na vida de muitas famílias.
Todos sabem o quanto Arouca e a freguesia do Burgo em particular devem ao incansável Padre Vilar. Desde o quartel dos Bombeiros Voluntários de Arouca passando por muitas outras obras, julgo que o Padre Vilar merece a medalha, o nome da rua, a estátua e tudo o mais que o concelho lhe deve e dará um dia. O Padre Vilar representa tudo o que a igreja deve representar. É por exemplos como o dele que eu continuo a acreditar na importância da religião. Acredite-se num ou noutro Deus, ou não se acredite em nenhum, uma coisa é inegável, é preciso termos fé uns nos outros e termos sempre vontade e alguma energia para dar a quem mais precisa. O exemplo do Padre Vilar e de toda uma freguesia é algo de extraordinário. Não há crise, nem falta de fiéis, nem obstáculo nenhum quando todos se empenham numa obra. O dinheiro aparece quando a obra o justifica. E como esta obra era necessária! A Igreja de São Salvador do Burgo tem tinta descascada no interior, algumas obras sacras a precisar de restauro e mais alguns pormenores a precisar de reparos. Tudo isso não abala em nada a fé de quem lá entra e as cerimónias que lá se realizam. A prioridade daquela paróquia são as pessoas e não o santuário. O mais importante são as acções e não as intenções. Esta é a religião que espalha amor em vez de apenas apregoar amor.
Ambos os autores deste blog colaboraram ou ainda colaboram com a fábrica da igreja de São Salvador do Burgo, desde os peditórios até ao restauro das capelas da freguesia passando pelo projecto e construção da Capela Mortuária e ATL e terminando na conclusão deste magnífico edifício que custou mais de um milhão de Euros.
Queria destacar, porque julgo ser justo, o papel do Sr. Antero Castro, pai dos autores do Blog que trabalhou incansavelmente ao lado do Padre Vilar para que todas estas obras fossem concretizadas. Após uma longa carreira que terminou como “o Sr. das fotocópias no liceu”, o meu pai reformou-se e passou a contabilista da fábrica da igreja, angariador de fundos, secretariado e por fim representante do dono de obra até à conclusão.
Participou em reuniões com secretários de estado e bispos, fez diversas viagens para apresentar projectos e pedir apoios e passou dias e noites a acompanhar as obras muitas vezes sob prejuízo da vida pessoal.
Este é um caso de alguém que após a reforma, estando ainda em plena capacidade de contribuir para a sociedade, preenchou a sua inactividade iminente com uma ocupação em prol da sociedade e da freguesia. Ao mesmo tempo que dá outro significado à nova etapa da vida, contribui para tornar mais fácil a vida de outros.
Ficam aqui os mais sinceros parabéns para a Padre Vilar para o meu pai Antero Castro e para todos os outros elementos da equipa do Burgo que têm feito um trabalho incansável no desenvolvimento da qualidade de vida de crianças, jovens e idosos do concelho.
A última edição da Playboy, a (des)propósito da morte do enorme José Saramago, resolve prestar-lhe uma estranha homenagem. Ridícula e parva, acrescento eu.
Que razão leva a colocar um modelo, a imitar Jesus Cristo, só para mostrar umas mulheres nuas?
Para quê, envolver símbolos da Igreja? Para provocar escândalo e assim vender mais? Claro.
Mas vejamos o que dizem outros, e com quem concordo plenamente:
Ganhámos tanto apego à nossa baixa auto-estima e ao hábito de acharmos que seremos sempre mais retrógados do que o mundo civilizado que por vezes nos esquecemos dos defeitos dos outros. A capa do último (?) número da Playboy, pacificamente aceite pelo público em geral e pela hierarquia católica em particular, acabou por causar mais furor nos distantes E. U. A. do que por cá, o que me parece bem e, sobretudo, previsível. De um país que alegremente concilia a mais pujante indústria pornográfica do mundo com o mais conservador evangelismo ou o ensino do Criacionismo em escolas oficiais tudo se deve esperar, incluindo declarações como as de Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy International, que afirma (julgo que sem se rir): “Não vimos nem aprovámos a capa e restantes fotografias do número de Julho da Playboy Portugal. Trata-se de uma violação chocante das nossas normas e não teria sido permitida a publicação se tivéssemos conhecimento antecipado. Devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o nosso acordo”. Ora bem, duvido que João César das Neves não consiga estar de acordo com estas declarações, e assim se poderá provar que les beaux esprits se rencontrent.
Cinquenta anos depois, a Playboy portuguesa surgiu, fora de tempo e ultrapassada pelos novos hábitos de consumo cibernéticos, e apenas tem conseguido ir um pouco mais longe do que o erotismo tímido de publicações masculinas como a FHM ou a Maxmen/Maxim. Sem ousadia nem brilho – o sexo feminino foi arredado das suas páginas ou então submerso em efeitos especiais photoshop de gosto duvidoso – a revista apenas se tem destacado por duas ou três suaves polémicas que terão impulsionado ocasionalmente as vendas, sendo o caso da professora de Vila Real o mais conhecido.
Restará a dúvida: terá sido o desespero ou a admiração por Saramago que terá levado à tal capa que evoca a santa imagem de Jesus em vão? A entrevista a Saramago que acompanha a produção – diga-se que, apesar do photoshop, esta nem é das piores que se têm visto por lá – é interessante (o entrevistador é um antigo director da versão brasileira, Humberto Werneck), mas não permite dissipar a dúvida: o que terá levado a senhora americana a benzer-se de forma tão apressada? A capa, a produção, a homenagem a um escritor comunista e reconhecidamente anti-capitalista?
A confirmar-se o fim da publicação, só nos resta esperar que haja uma versão portuguesa da Hustler, a revista criada nos anos setenta por Larry Flynt que pretendia ser o oposto da Playboy americana, que mostrasse mulheres reais, raparigas do lado, sem artificialismos, mais próxima dos potenciais compradores e mais subversiva, fugindo aos padrões de beleza definidos pela América dos anos 50 e perpetuados por uma nova burguesia dominante e conservadora que se apropriou e esvaziou do seu potencial revolucionário o erotismo que apenas existia em publicações underground, proibidas. Somando tudo, não haverá muita surpresa nas declarações da responsável norte-americana. A Playboy sempre foi a revista com mulheres nuas preferida do sistema. O que esperavam os editores da revista portuguesa?
PS: A reacção da casa mãe da Playboy, é fabricada, para vender. Para o mês que vem , está aí outra vez nas bancas ( a não ser que já desse prejuízo e era uma boa razão para fechar).
E sim, fui eu que censurei a foto da capa, que está aqui.
Este fim-de-semana “recebi” uns amigos do meu trabalho na nossa bela Serra da Freita. Fiquei pasmado ao perceber que não faltavam locais para “montar a tenda” nem para grelhar a bela carne arouquesa, mas metade das mesas e bancos em granito tinham desaparecido.
Só me ocorre a possibilidade de terem sido pessoas muito respeitadoras do meio ambiente que, numa azáfama de limpeza, levaram pratos, copos, guardanapos, restos de comida e blocos em granito de 800Kg por engano para o contentor do lixo.
No meu entender deviam fazer o seguinte:
1º – Amarrar um cão a cada mesa para impedir os mais distraídos de levarem as mesas e bancos para o lixo.
2º – Gravar em letras grandes no tampo da mesa a frase: “Sou burro como esta pedra que roubei!”
O que acho mais fantástico, é o empenho que é necessário para roubar aquelas mesas. É preciso um veículo apropriado. É preciso ajuda de várias pessoas. É preciso gastar tempo, dinheiro e muito esforço para levar a bom porto a tarefa. Não é uma coisa do género: “Olha que lindo calhou, deixa-me metê-lo no bolso sem ninguém ver”
Trata-se de algo notável do ponto de vista da organização, determinação e concretização. E ainda dizem que os portugueses não têm espírito empreendedor!
Quem sabe está nestas pequenas acções a chave para a saída da crise.
Eu posso começar já por sugerir que se crie um grupo de trabalho para ir a Barcelona e começar a roubar a Sagrada Família aos bocadinhos. Outro grupo podia, assim como quem não quer a coisa, assim mesmo “de fininho”, aproveitar que a Torre Eiffel está em obras e tratar de a começar a roubar aos poucos. Estou certo que muitos outros projectos paralelos poderiam ser feitos enriquecendo Portugal e aumentando as nossas exportações vendendo o produto do nosso suor.